Mina de cobre a céu aberto reforça a tese estrutural do metal em meio à nova rotação global para ativos reais. (Canva)
O cobre voltou ao centro do debate global. Tradicional termômetro da atividade econômica — conhecido como Dr. Copper — o metal tem mostrado um comportamento cada vez menos dependente do ciclo industrial clássico e mais ligado a forças estruturais de longo prazo.
É o que aponta o novo relatório da Global X, que analisa a performance do cobre em 2025 e projeta um cenário construtivo para 2026, mesmo diante de volatilidade macroeconômica, tensões comerciais e crescimento ainda irregular da economia global.
👉 Leia o relatório original da Global X:
https://www.globalxetfs.com/articles/commodity-catchup-redefining-dr-copper
Segundo a Global X, o desempenho do cobre em 2025 foi emblemático. Apesar de juros elevados, desaceleração industrial e menor impulso fiscal, o metal atingiu máximas históricas, contrariando a lógica tradicional dos ciclos econômicos.
A explicação está na mudança do perfil da demanda. Setores historicamente cíclicos — como construção pesada e manufatura tradicional — perderam protagonismo, enquanto novas fontes estruturais de consumo absorveram praticamente toda a oferta incremental.
Entre os principais vetores de demanda estrutural estão:
Esse novo mix de consumo ajuda a explicar por que os preços do cobre se mantiveram acima do custo marginal de produção, algo incomum em ciclos passados.
Do lado da oferta, o cenário segue apertado. O relatório da Global X destaca uma combinação de fatores que restringe o crescimento da produção global:
Além disso, grandes ativos relevantes seguem operando abaixo do potencial ou fora do mercado, reduzindo a capacidade de resposta da oferta mesmo diante de preços elevados.
O resultado é um mercado estruturalmente mais ajustado, com menor folga para absorver choques de demanda.
O cobre enfrentou forte volatilidade em 2025 por conta de tarifas comerciais e incertezas regulatórias, especialmente nos Estados Unidos. Em determinado momento, o prêmio do cobre negociado na COMEX chegou a superar 30% em relação ao preço global da LME.
Apesar disso, o relatório destaca que o impacto foi transitório. Mesmo após correções pontuais, o preço global do cobre mostrou resiliência e fechou o ano com alta superior a 30%.
Esse comportamento reforça a tese de que o mercado passou a precificar o cobre menos como um ativo puramente cíclico e mais como um insumo estratégico da nova economia global.
Para 2026, a Global X não projeta um “boom” de demanda como o observado no pós-pandemia, mas sim um cenário de crescimento moderado suficiente para manter o mercado em déficit.
Com política monetária potencialmente mais acomodatícia, dólar mais fraco e continuidade dos investimentos em infraestrutura energética e digital, o pano de fundo segue favorável para o metal.
Nesse contexto, o relatório aponta que mineradoras de cobre tendem a ser beneficiadas de forma desproporcional, uma vez que preços sustentados acima do custo médio ampliam geração de caixa, reduzem riscos financeiros e permitem maior disciplina de capital.
Fábio Murad, CEO da SpaceMoney, avalia que a força do cobre reflete um movimento mais amplo de realocação de capital:
Segundo Murad, esse fluxo ajuda a explicar a força das bolsas ligadas a commodities, especialmente na América Latina, e reforça a leitura de que o ciclo atual não é apenas conjuntural:
A principal conclusão do relatório da Global X é clara: o cobre deixou de ser apenas um indicador do ciclo econômico para se tornar um ativo estratégico da transformação global.
Com demanda estrutural crescente, oferta limitada e papel central na eletrificação e na digitalização da economia, o metal entra em 2026 com uma tese mais robusta, menos dependente de acelerações cíclicas e mais ancorada em fundamentos de longo prazo.
Para investidores atentos à rotação global e à busca por diversificação em ativos reais, o cobre segue no centro do radar.

