O papa Leão 14 pediu “respeito” à soberania da Venezuela e ao Estado de Direito durante a oração do Angelus. A manifestação foi neste domingo (4.jan.2026), 1 dia depois de as forças militares dos EUA prenderem o ex-presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) em Caracas e o transportarem para Nova York. O pontífice destacou a necessidade de “superar a violência e seguir caminhos de justiça e paz” no país sul-americano.
Na Praça de São Pedro, o líder da Igreja Católica ressaltou a importância de respeitar a Constituição venezuelana e os direitos humanos e civis de todos os cidadãos. Ele defendeu a construção de um futuro de colaboração e estabilidade para o país. As informações são do Vatican News.
“O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração e nos conduzir a superar a violência e a trilhar caminhos de justiça e paz, salvaguardando a soberania do país, assegurando o Estado de Direito consagrado na Constituição, respeitando os direitos humanos e civis de cada pessoa e de todos, e trabalhando juntos para construir um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia, com especial atenção aos mais pobres que sofrem por causa da difícil situação econômica”, declarou o papa.
O pontífice também pediu que todos “oremos e nos solidarizemos com os povos que sofrem por causa das guerras”.
A CEV (Conferência Episcopal da Venezuela) emitiu uma mensagem oficial sobre a operação militar norte-americana. “Diante dos acontecimentos que nosso país vivencia hoje, peçamos a Deus que conceda a todos os venezuelanos serenidade, sabedoria e força”, afirmaram os bispos.
Eles também fizeram um apelo pela paz: “Fazemos um apelo ao povo de Deus para que viva com mais intensidade a esperança e a oração fervorosa pela paz em nossos corações e na sociedade; rejeitamos qualquer tipo de violência”, disseram, e pediram que “nossas mãos se abram ao encontro e à ajuda mútua, e que as decisões tomadas sejam sempre para o bem do nosso povo”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o ex-presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana, para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.
Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.
Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.
No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.
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