Os preços do petróleo e do gás natural caíram hoje, enquanto os mercados reagiam ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela e à captura do presidente Nicolás Maduro.
Com o acirramento das discussões sobre o futuro das expressivas reservas de petróleo venezuelanas, analistas indicam que o Bitcoin (BTC) pode se destacar como beneficiado.
Em 3 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que o país realizou uma operação militar de grande escala na Venezuela. O presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores também foram capturados.
Os mercados financeiros reagiram ao acontecimento com a abertura do pregão de hoje, pressionando para baixo os preços da energia. O The Kobeissi Letter apontou que o gás natural registrou queda de cerca de 6% em 15 minutos após o início da negociação de futuros. Já o petróleo recuou para menos de US$ 57 por barril, próximo dos patamares registrados pela última vez em 2021.
Normalmente, grandes escaladas geopolíticas envolvendo nações produtoras de petróleo resultam em alta dos preços da energia. Desta vez, contudo, os mercados reagem de modo distinto. A mudança é atribuída às expectativas em torno dos planos de Trump para as vastas reservas de petróleo e gás da Venezuela.
Para contextualizar, a Venezuela detém as maiores reservas provadas de petróleo do planeta, sendo responsável por quase 20% das reservas globais.
Além do petróleo, a Venezuela possui estimados 200 trilhões de pés cúbicos em reservas de gás natural, grande parte delas ainda inexploradas.
O controle dos Estados Unidos sobre o setor energético venezuelano pode gerar aumento adicional na oferta e pressionar ainda mais os preços do petróleo e do gás natural. Mas como esse cenário poderia favorecer o Bitcoin?
De acordo com o analista de mercado Eric Fung, nesses ambientes, traders e gestoras de private equity podem realocar recursos para ativos alternativos, como ouro e prata. Os ativos digitais também entram nessa rotação, com o Bitcoin e o Ethereum surgindo como beneficiados da movimentação de capitais.
Outro analista avalia que as ações dos EUA na Venezuela evidenciam o vínculo entre os sistemas fiduciários e o poder estatal, algo que pode enfraquecer a confiança no dólar. Por consequência, investidores buscam o Bitcoin como proteção contra confisco, considerando seu caráter não estatal, o que pode impulsionar a procura e sustentar a valorização do ativo em períodos de instabilidade internacional.
Críticos, no entanto, apontam que o mercado ignora barreiras práticas. Um observador destaca que o petróleo pesado da Venezuela representa um risco teórico de oferta, assim como o Bitcoin do caso Mt. Gox.
O ativo está disponível, mas o mercado não consegue precificar corretamente devido à produção lenta, incertezas e limitações logísticas e políticas. Dessa forma, a narrativa é usada mais para influenciar o sentimento dos participantes do que como um choque de oferta real.
Além do impacto sobre o preço do petróleo, o BeInCrypto também apurou que supostas reservas venezuelanas de Bitcoin, se confiscadas pelos Estados Unidos, poderiam desencadear um choque de oferta de longo prazo, favorecendo a valorização do ativo.
O artigo EUA avançam sobre petróleo da Venezuela e impacto pode chegar ao Bitcoin foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.


