Hapvida enfrenta volatilidade intensa após divulgar queda no lucro anual.
As ações da Hapvida (HAPV3) protagonizaram uma forte volatilidade no pregão desta quinta-feira (19). Após abrirem em queda livre de 14,74%, batendo o valor de R$ 7,00, os papéis da operadora de saúde inverteram o sinal e passaram a liderar os ganhos do Ibovespa na metade do dia, com alta de 7,92%, negociados a R$ 8,86.
O estresse inicial foi provocado pela recepção negativa do balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), que apresentou números de margens e fluxo de caixa sob pressão.
O fechamento de 2025 revelou um cenário desafiador para a companhia. No consolidado do ano, o lucro líquido ajustado recuou 32,3% em relação a 2024, totalizando R$ 1,234 bilhão. Outros indicadores acompanharam a trajetória de queda:
A análise de grandes instituições financeiras, como Itaú BBA e Bradesco BBI, aponta para incertezas na recuperação operacional de curto prazo. Segundo o BBI, a dinâmica de crescimento moderado da receita aliada à perda de vidas e pressão nos custos dificulta uma virada rápida nos números.
Entre os fatores que pesaram no balanço estão o aumento das despesas gerais e administrativas — impulsionadas por contingências — e maiores gastos comerciais com marketing e comissões. O setor também enfrentou uma utilização sazonal atípica devido a um inverno mais seco nas regiões Sul e Sudeste.
Apesar da forte recuperação das ações durante o pregão, os analistas mantêm uma postura de cautela. A administração da Hapvida sinalizou que 2026 será um ano focado em execução e recuperação gradual, sem promessas de melhora imediata.
O Banco Safra reiterou recomendação neutra, destacando que ainda enxerga espaço para revisões negativas no lucro. Por outro lado, o preço-alvo de algumas instituições sugere um potencial de valorização expressivo a longo prazo: o Safra projeta o papel a R$ 22,50, enquanto o Itaú BBA estima R$ 15,00.


