O dólar à vista encerrou esta quarta-feira (18) em alta de 0,9% frente ao real, cotado a R$ 5,24, após duas sessões consecutivas de queda, quando acumulou desvalorização de 2,19%.
A moeda norte-americana ganhou força no exterior após declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que reduziram as apostas de cortes de juros nos Estados Unidos no curto prazo.
As declarações surgiram após o Fed manter a taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%. A decisão foi quase unânime. O diretor Stephen Miran votou por corte de 0,25 ponto percentual, enquanto Christopher Waller, considerado mais favorável à redução de juros, optou pela manutenção.
O índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — ultrapassou os 100 pontos durante a fala de Powell, com máxima em 100,222. O indicador é usado como referência para avaliar a força global da moeda americana.
Apesar da alta no dia, o índice recuava cerca de 0,10% no fim da tarde, próximo dos 99,58 pontos. Nos últimos dois dias, a queda acumulada é de 0,90%.
Confira o gráfico DXY (em tempo real):
Nesta quarta, a valorização do dólar ocorreu em meio à alta do petróleo. O Brent para maio se aproximou de US$ 110 por barril, refletindo a continuidade das tensões no Oriente Médio, o que tende a pressionar a inflação global.
Em coletiva, Powell afirmou que a redução dos juros depende de progresso consistente no controle da inflação. Ele também mencionou que parte dos membros do Fed considera a possibilidade de alta de juros, caso necessário.
Com isso, investidores passaram a projetar cortes apenas no fim do ano. Dados do CME Group indicam aumento da probabilidade de manutenção dos juros ao longo de 2026, que subiu de cerca de 35% para 42%.
Entre moedas de países emergentes, o real apresentou desempenho relativamente melhor. À exceção do peso colombiano, as perdas da moeda brasileira foram menores do que as de outros pares latino-americanos e do rand sul-africano.
Analistas apontam dois fatores principais para essa resiliência:
O mercado aguarda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), com expectativa majoritária de corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,75% ao ano.
Mesmo com eventual corte, o nível da taxa e o diferencial de juros em relação ao exterior devem continuar elevados.
Esse diferencial favorece operações conhecidas como carry trade, nas quais investidores captam recursos em países com juros baixos e aplicam em mercados com juros mais altos, como o Brasil.
Segundo Reginaldo Galhardo, da Treviso Corretora, a alta recente do dólar também estimula exportadores a trazer recursos ao país, o que pode contribuir para a entrada de divisas.
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