O Tesouro Nacional realizou duas novas recompras de títulos públicos nesta 3ª feira (17.mar.2026). O movimento é uma tentativa de conter a alta de juros futuros diante da disparada do preço do petróleo provocada pela guerra do Irã.
De 2ª feira (16.mar) a 3ª feira, o Tesouro fez operações que somaram R$ 43,6 bilhões. É a maior intervenção da história em valor nominal, superando a megaoperação de 2020, durante a pandemia de covid-19, quando a instituição recomprou R$ 35,56 bilhões em títulos ao longo de 15 dias.
Pela manhã, o Tesouro concluiu a recompra de R$ 9,05 bilhões em títulos prefixados. À tarde, efetuou novas operações com papéis atrelados à inflação que movimentaram R$ 7,07 bilhões. No dia anterior, já haviam sido recomprados R$ 27,5 bilhões em títulos.
As movimentações também superaram recompras feitas em outros episódios de tensão no país, como as manifestações de 2013 e a greve dos caminhoneiros de 2018.
O objetivo do movimento é reduzir a volatilidade na curva de juros, uma das principais referências para as decisões do Banco Central, especialmente as que mexem com a Selic. As operações ocorrem em uma semana decisiva: o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anuncia na 4ª feira (19.mar) se mantém ou reduz o taxa básica de juros, que está atualmente em 15%.
Não é comum que o Tesouro realize esse tipo de operação em semanas de decisão de juros. Normalmente, ocorre o contrário: a instituição evita interferir no mercado para não criar interpretações de influência sobre a política monetária.
Cresceu nessa semana a aposta do mercado pela manutenção da Selic. Na semana passada, o corte de 0,50 p.p. (ponto percentual) ainda dividia opiniões. Agora, a maioria dos operadores projeta um BC mais conservador, com o ciclo de cortes começando com um ajuste de magnitude menor, de redução de 0,25 p.p.


