Há cinco anos, o Magazine Luiza embarcou em uma jornada de transformação, deixando de ser apenas um nome voltado para a linha branca, se transformando num ecossistema, agregando novas marcas e serviços, de olho na diversificação da receita.
Ao final desse período, marcado pela chegada de nomes como Netshoes e KaBuM! e também para a expansão para outras áreas, como computação em nuvem, a avaliação é de que o Magalu chega muito mais robusto, preparado para variações de ciclos econômicos.
Com a estrutura de pé, a companhia prepara um novo ciclo de cinco anos, em que a meta é destravar valor do que foi construído, incorporando a inteligência artificial (IA) no varejo.
“Todos os esforços que colocamos para a construção de um ecossistema nos últimos cinco anos, nós estamos vendo resultado”, diz Vanessa Rossini, diretora de relações com investidores do Magalu, ao NeoFeed. “Somos uma empresa muito mais resiliente perante as oscilações macroeconômicas e estamos prontos para o início de um novo ciclo.”
A resiliência desse modelo de negócios, segundo ela, é comprovada pelos resultados do quarto trimestre e de 2025, divulgados na noite de quinta-feira, 12 de março. No período, o Magalu registrou Ebitda de R$ 947,8 milhões, aumento de 12,5%, com a margem expandindo 0,7 ponto percentual, a 8,5%. No ano, o indicador registrou aumento de 10,6%, para R$ 3,2 bilhões, com a margem aumentando 0,7 ponto percentual, a 8,3%.
A receita líquida foi de R$ 11,2 bilhões, um aumento de 3,4%, fechando o ano em R$ 38,7 bilhões, crescimento de 2%. Nos últimos três meses do ano passado, as vendas totais somaram R$ 18,2 bilhões, redução de 1,1%. Na ocasião, as lojas físicas tiveram crescimento de 8,7%, mas o e-commerce teve redução de 5,3% no e-commerce total.
Segundo Rossini, enquanto o varejo físico apresenta um ambiente competitivo mais saudável, no e-commerce está mais “irracional” e com crescimento de categorias de tíquete baixo. “É um jogo que a gente decidiu não jogar, porque decidimos priorizar categorias com maiores margens de contribuição”, afirma ela.
Já na última linha do balanço, o Magalu registrou um recuo de 55,4% do lucro líquido no quarto trimestre, que somou R$ 131,6 milhões. No ano, a queda foi de 54,4%, com o lucro somando R$ 204,6 milhões.
Rossini afirma que, além do peso que os juros altos tiveram sobre as despesas financeiras, o Magalu realizou uma provisão adicional de estoques, para acelerar o escoamento de produtos em excesso, sazonais ou de baixo giro.
Houve também o lançamento de R$ 453 milhões na Luizacred - instituição financeira fruto de uma joint venture com o Itaú Unibanco - devido à baixa da expectativa de recebimento da carteira vencida acima de 360 dias e a reversão de provisão para o Difal (diferença de alíquota interestadual de ICMS) conforme decisão do STF tomada no ano passado.
Alguns desses itens também pesaram sobre as margens da companhia, com a margem bruta recuando 2,4 pontos percentuais, a 27,3%. Quando excluídos os efeitos destes temas considerados não recorrentes, a margem bruta permaneceria estável, em 30%, e o lucro teria recuado em 10,5%, a R$ 124,7 milhões.
Para Rossini, ainda que a companhia não seja totalmente impermeável aos efeitos de juros em dois dígitos e intensa competição no mundo do e-commerce, o Magalu fechou o ano passado satisfeito.
“Se a gente voltasse ao modelo de seis, sete anos atrás, e fosse de fato um varejista de bens duráveis, dificilmente estaríamos dando lucro num ano como esse”, diz a diretora de relações com investidores do Magalu.
Ela destaca que o Magalu agora é uma empresa com um caixa total de R$ 8 bilhões, com a geração de caixa operacional no quarto trimestre sendo de R$ 2,2 bilhões, acima dos R$ 1 bilhão que era o caixa total em 2015, com caixa líquido de R$ 3,1 bilhões.
Destravando valor e IA
Com o formato de ecossistema consolidado, o Magalu está apresentando seu planejamento estratégico para os próximos anos. Um dos pontos que a companhia pretende detalhar são as iniciativas que planeja para impulsionar o ecossistema criado, acelerando a venda cruzada entre as marcas, incentivando os clientes a comprarem em mais de uma plataforma de forma recorrente.
Também estão previstas iniciativas para reforçar o posicionamento do e-commerce como destino para quem busca produtos de qualidade, concentrando a oferta em produtos 1P — e no marketplace (3P) com curadoria, priorizando sellers que utilizam o Magalu Entregas.
Ao mesmo tempo, a ideia é ampliar as parcerias com outras plataformas, com a que a companhia possui com o AliExpress. “Aqui a gente consegue acessar um tráfego adicional, com uma rentabilidade também muito boa”, diz Rossini.
Os investimentos em IA passam por escalar o AI Commerce como novo canal de crescimento e relacionamento com o cliente.
Um dos movimentos é que o WhatsApp da Lu integrará todo o ecossistema, vendo que o público que usa IA no dia a dia demonstra interesse em interagir com assistentes virtuais. O Magalu fechou 2025 com 3 milhões de usuários únicos nesse canal, com a taxa de conversão sendo três vezes maior em relação à busca no aplicativo.
O quinto pilar passa por fortalecer a alavanca de serviços financeiros via MagaluPay, integrando os serviços financeiros de forma nativa na jornada de compra dos clientes.
“Ainda temos muito a potencializar desse último ciclo. Vamos ter muita coisa nova, mas será tudo conectado com o que já estamos entregando, porque a gente entende que tem muito para avançar”, diz Rossini.
As ações do Magalu fecharam o pregão com queda de 6,37%, a R$ 9,40. Em 12 meses, os papéis MGLU3 registram alta de 15,06%, levando o valor de mercado a R$ 7,3 bilhões.


