As preocupações em relação à alavancagem da CSN voltaram à tona na quinta-feira, 12 de março, depois de a empresa reportar no quarto trimestre de 2025 um aumento da relação entre a dívida líquida e Ebitda, mesmo após declarar que sua prioridade é reduzir o endividamento.
Embora o desempenho operacional tenha sido considerado bom pelos analistas – ainda que tenha divulgado um aumento de oito vezes do prejuízo, que somou R$ 721 milhões no quarto trimestre –, as ações da CSN registram forte queda. Por volta das 14h15, os papéis CSNA3 recuavam 10,7%, a R$ 6,37. No ano, a queda é de 26,9%.
O mercado não gostou nada da notícia do salto de R$ 3,7 bilhões no endividamento líquido, que atingiu R$ 41 bilhões. Com isso, a alavancagem financeira passou das 3,1 vezes vistas no terceiro trimestre para 3,5 vezes nos últimos três meses do ano passado.
Diante da reação dos investidores, a diretoria da CSN destacou na teleconferência de resultados que o aumento foi algo restrito ao quarto trimestre e que segue comprometida com o plano de venda de ativos anunciado no começo do ano, como forma de resolver a situação de forma definitiva.
“Quero enfatizar que foi um aumento pontual e que eventualmente se recupera no primeiro trimestre”, disse Benjamin Steinbruch, CEO da CSN, em uma breve participação na call.
No balanço, a empresa informou que o resultado foi afetado pelo “serviço da dívida e do aumento nas atividades de investimentos”. Steinbruch citou ainda os efeitos da não renovação de contratos de pré-pagamento de exportações na parte de mineração, além de efeitos cambiais, fatores que não devem ter mais impactos daqui para frente.
Em relação ao processo de desinvestimento anunciado em janeiro, central para a CSN cumprir com o objetivo de se desalavancar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, os executivos disseram que o processo caminha bem e que esperam fechar acordos para venda dos ativos de cimentos e de infraestrutura no terceiro trimestre.
O processo mais avançado é o da unidade de cimentos. De acordo com Antonio Marco Rabello, CFO da CSN, a companhia recebeu propostas de interessados de diversas geografias, a maioria deles da Ásia, com o processo andando bem. A venda é assessorada pelo Morgan Stanley.
“A gente está confiante que vai ter um processo muito célere aqui nos próximos meses”, afirmou. “A gente imagina que, em torno de dois meses, teremos várias propostas aqui na mesa, é mais do que atingível, é bem factível.”
No caso dos ativos de infraestrutura, cujo processo é assessorado pelo Bradesco BBI e pelo Citi, Rabello afirmou que as conversas começaram antes da CSN anunciar o plano de desinvestimento, mas possui um pouco mais de complexidade, pelas exigências de reunir os ativos numa única plataforma e necessitar uma série de aprovações regulatórias.
Ao mesmo tempo em que negocia a venda dos ativos, a CSN negocia com bancos um empréstimo utilizando a unidade de cimentos como colateral, corroborando notícias que saíram. Segundo informações da Agência Estado, a empresa estava muito perto de fechar um empréstimo de até US$ 1,5 bilhão nessas condições.
Rabello afirmou que a CSN ia acertar essa operação, mas diversas notícias negativas envolvendo crédito corporativo, além da questão da guerra no Oriente Médio, fizeram a companhia segurar o closing, esperando a poeira baixar.
“Voltamos com essa operação para o mercado, o mesmo grupo de bancos que estava conosco algumas semanas atrás está conosco hoje novamente, e a gente está com a operação agora no ponto extremamente maduro. A gente acredita claramente que em questão de dias vamos ter essa operação assinada e encerrada”, disse.
O tema da alavancagem elevada persegue a CSN há tempos, mas ganhou urgência recentemente depois que nomes como Raízen e GPA pediram recuperação extrajudicial, justamente por carregarem uma dívida elevada.
Segundo os analistas do BTG Pactual, essa é uma questão que pesa sobre a tese da CSN, avaliando que existem nomes mais atraentes dentro do universo de siderurgia e mineração. “Continuamos cautelosos e esperamos que a história aqui [tese da CSN] seja impulsionada por eventos, dependendo em grande parte do ritmo de desalavancagem no futuro”, diz trecho do relatório.
Já os analistas da XP destacaram que “a elevada alavancagem da CSN implica uma margem de segurança limitada em um contexto de juros elevados no Brasil”, ainda que os resultados tenham vindo levemente acima do esperado.
No quarto trimestre, além do prejuízo, a CSN reportou uma queda de 5,2% na receita líquida, que somou R$ 11,4 bilhões, e um Ebitda ajustado de R$ 3,3 bilhões, estável em base anual.



