Nas últimas duas semanas, a administração Trump não tem faltado com justificações para travar guerra contra o Irão, afirmando tudo, desde mudança de regime até impedir o país de obter armas nucleares e retidão religiosa. De acordo com o renomado historiador Timothy Snyder, Trump poderá ter outra razão com a qual nos devemos preocupar.
"Um propósito da guerra contra o Irão poderá muito bem ser provocar um ataque terrorista dentro dos Estados Unidos", sugeriu Snyder. "Isto forneceria a Donald Trump um pretexto para tentar cancelar ou 'federalizar' as próximas eleições para o Congresso."
Como Snyder salientou, "Trump já telegrafou o movimento."
Trump falou repetidamente sobre as suas preocupações de que o GOP irá perder muito nas eleições intercalares, e que ao fazê-lo poderá ter grandes repercussões não só na sua agenda, mas para a própria existência da sua presidência. Por causa disto, não fez segredo de que pretende manipular a eleição, seja através da Lei SAVE America — legislação de reforma eleitoral que Trump espera que prive a oposição dos seus direitos enquanto dá aos Republicanos maior controlo sobre o processo — ou declarando uma emergência para poder nacionalizar as eleições.
Um ataque terrorista dentro dos Estados Unidos, diz Snyder, poderá ser aquilo com que Trump está a contar para fornecer essa emergência.
Snyder é versado em como déspotas ascendem ao poder e depois o mantêm. Um historiador especializado na história da Alemanha Nazi e da União Soviética, escreveu vários livros mais vendidos sobre como países caem no autoritarismo.
De acordo com Snyder, à medida que Trump se torna mais desesperado quanto à eleição e se debate com os seus esforços no Irão, a ideia de beneficiar de um ataque terrorista nos Estados Unidos poderá crescer em apelo, se já não o fez. Isto poderia levá-lo a cometer mais crimes de guerra, e "crimes de guerra não ganham guerras. Em vez disso, provocam mais crimes de guerra e outra retribuição."
Essa retribuição, disse Snyder, poderia vir sob várias formas: ataques de atores iranianos estatais ou não estatais, terroristas americanos domésticos, ou um oponente oportunista como a Rússia. Com o FBI a avisar sobre um possível ataque iraniano contra a Costa Oeste, tais possibilidades poderão ser demasiado reais.
"A história está repleta de exemplos de líderes que exploram, geram ou fabricam crises de forma a permanecerem no poder", alertou Snyder. "Se não conseguirmos recordar a história agora, ajudaremos o regime Trump a gerar um sentimento de pânico quando o ataque terrorista chegar."


