Um dos autores da proposta que trata da PEC do fim da escala 6 X 1, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou nesta 3ª feira (10.mar.2026) que quem se posicionar contra a medida poderá ser comparado a quem defendeu o trabalho escravo no passado. A declaração foi feita durante o debate do texto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Segundo o deputado, a mudança na jornada de trabalho atende a uma demanda de trabalhadores que hoje estão fora do mercado formal.
“O Brasil tem 15 milhões de trabalhadores informais que dizem para o mercado formal: ‘eu topo vender parte do meu tempo livre para o mercado formal, mas quero ter vida’”, declarou.
Assista (45s):
Reginaldo Lopes também disse que é preciso considerar o custo social de manter a escala atual. De acordo com ele, cerca de 500 mil trabalhadores pediram afastamento por problemas de saúde e estão recebendo recursos pagos com apoio da Previdência Social.
A proposta em discussão é a PEC nº 8 de 2025, que reúne textos apresentados pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e por Reginaldo Lopes. O projeto altera o modelo de jornada baseado em 6 dias de trabalho com 1 de descanso na semana. Busca reduzir para uma escala máxima de 5 dias de trabalho na semana.
O texto está em análise de admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado, seguirá para uma comissão especial antes de ser votado no plenário da Câmara.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trata o fim da escala 6 X 1 como prioridade do governo. O Planalto avalia que a proposta tem apelo popular e pode mobilizar a base eleitoral na campanha de 2026. A estratégia do Executivo é votar o tema no 1º semestre para gerar dividendos políticos à reeleição.
Para acelerar a tramitação, o governo estudou enviar um projeto de lei com urgência constitucional. Nesse modelo, a Câmara teria até 45 dias para analisar o texto. Porém, o cenário mudou depois que o presidente da Câmara encaminhou em 9 de fevereiro de 2026 à CCJ a PEC que trata da redução da jornada. Nesse formato a tramitação tende a ser mais lenta.
Por um lado, o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que pretende levar a proposta ao plenário até maio. Por outro lado, mesmo que seja aprovado pelos deputados, o texto ainda precisará passar pelo Senado. Congressistas da oposição ao governo federal avaliam a possibilidade de adiar a análise para evitar que Lula capitalize politicamente a medida em ano eleitoral.



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