Em ano de eleições no Brasil, a tendência é que o Congresso adie a análise de algumas PECs (Propostas de Emenda à Constituição) para focar nos redutos eleitorais e escantear a votação para 2027. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já fez declarações sobre priorizar propostas com maior consenso e evitar temas sensíveis.
Eis os temas que o Congresso deve adiar para 2027:
A PEC da reforma administrativa que está sob relatoria do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), tem como objetivo a eficiência estatal, a digitalização dos sistemas e a extinção de privilégios.
O pacote de mudanças engloba alterações nas regras de progressão de carreira, no tratamento de conflitos de interesse e na distribuição de vagas entre homens e mulheres. O texto também trata de férias, folgas, remuneração e sanções aplicadas aos servidores.
O texto aguarda despacho do presidente da Camara para tramitar inicialmente pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Além de ser um tema sensível para ano eleitoral, enfrenta resistências de parte dos servidores públicos, o que contribui para adiar a votação para 2027.
Autores da PEC 38 de 2025 disseram ao Poder360 que existe a possibilidade de votar no plenário após as eleições. Motta já sinalizou que quer uma reforma como legado, assim como foi para os seus antecessores, a reforma da previdência de Rodrigo Maia (RJ) e a reforma tributária de Arthur Lira (PP-AL).
As Forças Armadas são historicamente um setor sensível a mudanças estruturais, sobretudo em ano eleitoral. Por isso, a PEC que altera o artigo 142 da Constituição deve ficar para 2027, segundo o relator, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).
O texto, ainda em construção, extingue as operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e determina que o militar que assumir cargo público seja transferido para a reserva. De acordo com o relator, a proposta é necessária para afastar as Forças Armadas da política.
A iniciativa também modifica o artigo 142 da Constituição Federal, que define as funções das Forças Armadas. Pelo texto atual, qualquer dos Poderes pode requisitar a atuação dos militares para assegurar a lei e a ordem.
A PEC 65 de 2023 tem como objetivo ampliar a autonomia financeira, fiscal e orçamentária do Banco Central. O texto busca modernizar a instituição e assegurar, entre outras coisas, a segurança do sistema de pagamento instantâneo Pix.
A proposta está em discussão na CCJ do Senado, sob relatoria do senador Plínio Valério (PSDB-AM). O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem defendido a ampliação da autonomia, incluindo a possibilidade de contratar diretamente servidores.
O relator da proposta afirmou que houve consenso com a bancada do governo após ajustes no texto e que a atuação do Banco Central no caso do Banco Master ajudou a destravar o apoio político à proposta. Porém ele disse que os senadores estão concentrados na CPMI do INSS.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trata o fim da escala 6 X 1 como prioridade do governo. O Planalto avalia que a proposta tem apelo popular e pode mobilizar a base eleitoral na campanha de 2026. A estratégia do Executivo é votar o tema no 1º semestre para gerar dividendos políticos à reeleição.
Para acelerar a tramitação, o governo estudou enviar um projeto de lei com urgência constitucional, nesse modelo, a Câmara teria até 45 dias para analisar o texto. Porém, o cenário mudou depois que o presidente da Câmara encaminhou em 9 de fevereiro de 2026 à CCJ a PEC que trata da redução da jornada.
Nesse formato a tramitação tende a ser mais lenta. Depois de passar pela CCJ, o texto ainda precisará ser analisado por uma comissão especial antes de seguir ao plenário da Câmara. O rito pode dificultar a estratégia do governo de acelerar a votação.
Por um lado, Motta afirmou que pretende levar a proposta ao plenário até maio. Por outro lado, mesmo que seja aprovada pelos deputados, o texto ainda precisará passar pelo Senado. Congressistas da oposição avaliam a possibilidade de adiar a análise para evitar que o governo capitalize politicamente a medida em ano eleitoral.



Amy Webb, CEO do Future Today Strategy Group, estará na SP House Getty Images Os brasileiros que vão ao SXSW, maior festival de tecnologia do mundo, que ac