Mulheres em startups — Foto: Pexels
Quando o assunto é mulheres na liderança, o setor de saúde se destaca como o que mais concentra mulheres em posições de liderança. Nesta área, elas ocupam 63% dos cargos de liderança, considerando o quadro geral, e respondem por 19% das posições de CEO, o que representa o índice mais alto entre os segmentos avaliados.
Os dados são do estudo “Mulheres na Liderança”, do Great Place To Work, que revela um panorama sobre a presença feminina em diferentes setores econômicos.
Segundo Daniela Diniz, diretora de Comunicação e Relações Institucionais do GPTW Brasil, saúde lidera em presença de mulheres CEOs e executivas porque é um setor em que elas já são maioria na base da força de trabalho, cerca de 70%, o que acaba criando um pipeline natural de mulheres.
"Além disso, dentre as melhores empresas para trabalhar, práticas voltadas à equidade de gênero neste setor ganharam destaque nos últimos anos, acelerando a ascensão feminina em comparação com outros setores", diz a executiva.
A área de tecnologia da informação ocupa a segunda posição em mulheres como CEOs, passando de 7% em 2022 para 16% em 2025. No entanto, o segmento foi o que registrou a maior queda na participação feminina no quadro geral, recuando de 43% em 2022 para 39% em 2025, apesar de leve recuperação em relação a 2024, quando o índice era de 38%.
Em terceiro lugar aparece o varejo, com 16% de CEOs mulheres e 28% de mulheres na alta liderança.
Para Daniela, em ambos os setores, há uma mudança cultural em andamento.
"No setor de tecnologia, cada vez mais mulheres têm buscado formação em áreas antes dominadas por homens [formação em tecnologia, STEM] e têm se posicionado de forma mais assertiva em processos de sucessão. As melhores empresas para trabalhar na área de tecnologia também costumam investir nessa formação de entrada, estimulando hoje mais mulheres a optar por esses cursos", diz.
Já no varejo, a especialista diz que a presença feminina na base da força de trabalho é tradicionalmente elevada. "O que aconteceu ao longo do tempo é uma mudança na percepção do trabalho da mulher como executiva de negócios desse setor, o que abriu espaço para que muitas pudessem ascender por mérito e experiência acumulada, não apenas por políticas de diversidade."
Na outra ponta, o agronegócio registrou, em 2025, a menor representatividade feminina no quadro geral, de 23%, e o menor percentual de mulheres CEOs, com 9%. Apesar disso, o agro foi o setor que mais avançou na participação de mulheres em cargos de alta liderança, saindo de 14% em 2022 para 24% em 2025, diz o estudo.
Já a indústria apresentou, no ano passado, a menor participação de mulheres em cargos de alta liderança, com 21%. E o ranking de instituições financeiras registrou a maior queda na presença feminina na alta liderança, passando de 48% em 2022 para 27% em 2025.
Em relação à média liderança, o setor de tecnologia registrou crescimento na participação feminina, passando de 13% em 2022 para 37% em 2025. Já o varejo e instituições financeiras apresentaram as maiores quedas, com recuo de cinco pontos percentuais cada um.
O estudo Mulheres na Liderança foi feito a partir da análise dos dados demográficos dos rankings setoriais das melhores empresas para trabalhar entre 2022 e 2025.
Segundo Daniela, apesar dos avanços demonstrados na pesquisa, a igualdade plena ainda é difícil porque existem barreiras corporativas persistentes, como culturas organizacionais que favorecem perfis masculinos, vieses inconscientes em processos de promoção, falta de políticas de conciliação entre carreira e vida pessoal, e redes de influência que historicamente excluem mulheres. Esses fatores tornam a ascensão mais lenta.
"Não podemos ignorar também um componente histórico: durante anos, as mulheres foram praticamente excluídas do mundo executivo, que era o símbolo do trabalho masculino. Primeiro, havia uma proibição mesmo, a ponto de mulheres casadas precisarem de autorização do marido para trabalhar. Segundo veio a licença da sociedade. 'Se ela não quiser, tá tudo bem', afinal, coube sempre a ela dar conta de outros mil papéis domésticos. Mudar essa história leva tempo, tanto para organizações quanto para as próprias mulheres", diz ela.
Para a executiva, de um lado, as empresas precisam fazer sua parte e derrubar vieses, criar políticas e práticas que favoreçam a conciliação de papéis, incluir as mulheres no pipeline da liderança, estabelecer metas de equidade, entre outros. "Eu acredito que essa é a parte mais difícil e morosa".
Do outro lado, Daniela diz que as mulheres precisam entender que podem e precisam acreditar no seu potencial, não desistindo à primeira dificuldade ou barreira. "Essa é a parte menos difícil talvez, mas que ainda pesa sobre as mulheres, afinal, foram anos creditando a elas um papel diferente ou um lugar menos importante", diz.


