A Strategy (anteriormente conhecida como MicroStrategy), sob a contínua liderança visionária de Michael Saylor, criou uma nova dinâmica de pressão no mercado financeiro global. Com suas ações comuns (MSTR) negociadas na casa dos US$ 135 (aproximadamente R$ 770), a empresa introduziu um instrumento de capital que oferece um rendimento (yield) de 11%, atraindo pesos pesados institucionais como a Anchorage Digital e a Prevalon Energy. Esse movimento ocorre em um momento crítico, onde o interesse vendido (short interest) na empresa atinge a marca histórica de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 28,5 bilhões).
A tensão no mercado é palpável e cria um cenário de ‘barril de pólvora’. Enquanto vendedores a descoberto apostam na queda da MSTR — muitas vezes como uma trava (hedge) contra posições compradas em Bitcoin — o alto rendimento das novas ações preferenciais aumenta drasticamente o custo de oportunidade para esses bears. A pergunta que circula nas mesas de operação de Wall Street e da Faria Lima é se esse fluxo de capital institucional servirá como o catalisador para um short squeeze massivo, forçando os vendedores a recomprar as ações a preços mais altos para estancar a sangria financeira.
Em termos simples, a Strategy está usando a engenharia financeira para defender sua posição e atrair capital conservador, o que coloca os vendedores a descoberto em uma situação delicada. Normalmente, fundos de hedge montam uma operação conhecida como basis trade: eles compram Bitcoin (via ETFs como o IBIT) e vendem as ações da MSTR, apostando que o prêmio das ações sobre o valor do Bitcoin (NAV) irá diminuir. No entanto, ao emitir ações preferenciais com um rendimento de 11%, a Strategy cria uma demanda genuína por sua estrutura de capital que não depende apenas do preço do Bitcoin subir explosivamente.
Para o vendedor a descoberto, isso é um pesadelo de custo de carregamento. Manter uma posição short de US$ 5 bilhões não é gratuito; exige pagamento de taxas de aluguel das ações e garantias. Como detalhamos sobre a estratégia de ações preferenciais de Michael Saylor, esse capital novo permite que a empresa continue acumulando Bitcoin sem diluir agressivamente os acionistas comuns, mantendo o preço da ação sustentado.
O efeito prático é uma ‘guerra de atrito’. Cada dia que a ação da MSTR não cai, o custo para os vendedores aumenta, enquanto investidores institucionais como a Anchorage garantem uma renda fixa de 11% atrelada ao ecossistema da empresa. Se a demanda por esses papéis continuar crescendo, a tese de que a MSTR está ‘supervalorizada’ perde força, aumentando a probabilidade de uma cobertura forçada das posições vendidas.
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Os números revelam uma dinâmica de pressão crescente sobre os vendedores, transformando a MSTR em um dos ativos mais vigiados do mercado americano. A entrada de players como Prevalon e Anchorage valida a estrutura de capital da empresa aos olhos de Wall Street.
Segundo dados compilados pela CryptoSlate, essa alocação de tesouraria em ativos de renda fixa da Strategy desafia o argumento tradicional de venda a descoberto. Ao contrário de 2022, a empresa agora possui um colchão de liquidez diversificado que pode absorver volatilidade sem precisar vender seus Bitcoins.
O cenário técnico para a MSTR sugere que o ativo está caminhando sobre o fio da navalha, onde qualquer movimento brusco do Bitcoin pode desencadear uma reação em cadeia. Como analisamos no Bitcoin Hoje, o mecanismo de short squeeze no mercado cripto costuma ser violento e rápido, e a MSTR funciona como uma versão alavancada desse movimento.
Os traders devem observar os seguintes níveis críticos para a MSTR:
Além disso, como discutimos em nossa matéria sobre catalisadores institucionais, se a Strategy utilizar esse capital novo das ações preferenciais para realizar compras agressivas de Bitcoin no mercado à vista (spot), o impacto será duplo: alta no preço do BTC e, consequentemente, valorização do NAV da MSTR, fechando o cerco contra os vendedores.
Para o investidor brasileiro, a batalha em torno da Strategy tem implicações diretas, principalmente para quem possui BDRs da empresa (ticker M2ST34) ou ETFs de Bitcoin na B3. A volatilidade gerada por um possível squeeze nos EUA será replicada no Brasil, adicionada ao fator cambial. Se o dólar subir junto com a ação, o BDR pode ter uma valorização expressiva, mas o risco de correção abrupta é igualmente alto.
A recomendação prática é de cautela. Tentar ‘surfar’ um short squeeze com alavancagem é perigoso, pois a volatilidade intraday pode liquidar posições antes da alta se concretizar. Para quem acredita na tese de longo prazo de Michael Saylor, a exposição via BDRs deve ser dimensionada considerando que a MSTR carrega um prêmio sobre o Bitcoin, o que a torna mais arriscada que o próprio ativo digital. Monitorar o spread entre o preço da ação e o valor dos Bitcoins por ação é essencial.
Apesar do otimismo com o yield de 11%, o risco de execução permanece real. A posição vendida de US$ 5 bilhões não existe no vácuo; ela reflete a aposta de gestores sofisticados de que a Strategy pode estar esticando demais sua alavancagem. Se o Bitcoin sofrer uma correção severa e prolongada, abaixo dos US$ 50.000, o modelo de financiamento da empresa pode ser testado.
Como reportamos sobre o ‘Fortress Balance Sheet’ da empresa, Saylor construiu mecanismos para sobreviver a invernos cripto, mas o mercado de ações costuma punir severamente empresas cujos ativos subjacentes (neste caso, o BTC) estão ‘underwater’ (abaixo do preço de custo). O investidor não deve ignorar que o prêmio da MSTR sobre seu NAV pode colapsar se a confiança institucional vacilar, independentemente do sucesso das ações preferenciais.
Em síntese, a Strategy transformou sua estrutura de capital em uma arma contra os vendedores a descoberto, mas o desfecho dessa batalha depende da resiliência do preço do Bitcoin nos próximos dias. Os investidores devem monitorar de perto o rompimento dos US$ 139 na MSTR e os dados de fluxo semanal para as ações preferenciais como os principais indicadores de quem está vencendo essa queda de braço bilionária.
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