Após alcançar novo recorde de fechamento, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), registrou leve baixa de 0,13% no pregão desta quarta-feira (25), encerrando o dia na marca dos 191.247,46 pontos.
O desempenho do índice foi sustentado principalmente pelas ações ligadas a commodities metálicas diante da valorização do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China.
No cenário doméstico, o impulso veio da nova pesquisa eleitoral da Atlas/Bloomberg, que apontou recuo nas intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mercado avalia que a possibilidade de alternância de poder pode movimentar expectativas fiscais e econômicas, com reflexos diretos sobre o Ibovespa.
Entre as ações de maior peso do índice, a Petrobras teve ganhos moderados, de 0,28% das ações ordinárias, enquanto as preferenciais encerraram estáveis. Já a Vale fechou em forte alta de 2,55%, em um movimento decisivo para amortecer a pressão negativa sobre a Bolsa.
No setor financeiro o desempenho foi misto, com Santander Brasil em queda de 3,94%, enquanto o Banco do Brasil avançou 1,7% e o BTG Pactual fechou em alta de 1,06%.
No ranking das maiores altas do dia as posições de liderança ficaram com ações do setor metálico. Usiminas registrou forte alta de 3,98%, seguida por Bradespar (+3,27%) e Vale (+2,55%). Já as principais quedas ficaram com Magazine Luiza (-6,32%) e Isa Energia (-4,44%).
No câmbio, o dólar terminou o dia emendando a quinta sessão consecutiva de desvalorização frente ao real, em baixa de 0,59%, cotado a a R$ 5,12. O movimento é atribuído por analistas à desvalorização global do dólar e aumento do fluxo para países emergentes.
No cenário internacional, o encontro de representantes dos Estados Unidos e do Irã em Genebra, nesta quinta-feira (26), para tentar um acordo nuclear segue no centro das atenções. As expectativas de sucesso são baixas e um encontro inconclusivo ou negativo pode levar Trump a cumprir as ameaças de atacar o país.
O Teerã teria concordado em reduzir o enriquecimento de urânio para 3,6%, com suspensão por sete anos. Os Estados Unidos, no entanto, defendem prazos mais longos e a eliminação de todo o estoque atualmente existente.
Reportagem do Financial Times aponta ainda que o governo iraniano ameaça intensificar qualquer conflito com os Estados Unidos em caso de um eventual ataque americano, elevando o risco geopolítico e mantendo investidores em alerta.
No mercado acionário, a reação aos números da Nvidia foi marcada por volatilidade. As ações chegaram a disparar quase 4% no primeiro momento após o balanço, mas perderam força, refletindo expectativas já elevadas. A empresa projetou faturamento de US$ 78 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, acima da estimativa de mercado, de US$ 72 bilhões. Ainda assim, o guidance e os resultados considerados positivos não sustentaram um rali consistente no after hours.
Entre as fintechs, o Nubank caiu cerca de 5% no after market. Apesar de registrar lucro líquido recorde de US$ 894,8 milhões no quarto trimestre (alta de 50% na comparação anual) o aumento do custo de risco pressionou os papéis. As despesas seguem crescendo em ritmo superior ao das receitas com tarifas, o que pesou na leitura dos investidores.
No Brasil, o mercado repercute a revogação das sobretaxas impostas com base na Lei de Emergência Econômica dos Estados Unidos. Segundo a Amcham Brasil, US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras aos EUA (o equivalente a 34,9% do total) tiveram as tarifas reduzidas de 40% ou 50% para 10%. Em alguns casos, como o de aeronaves, as tarifas foram eliminadas.
A nova sobretaxa global de 10% está fundamentada na chamada Seção 122 da legislação comercial de 1974, instrumento voltado ao enfrentamento de desequilíbrios no balanço de pagamentos, com validade temporária de até 150 dias e possibilidade de elevação para até 15%.
Nesta quarta-feira (25), o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o governo deverá publicar nos próximos dias uma proclamação para elevar as tarifas ao teto de 15%, movimento que deve reacender incertezas no comércio internacional.
As Bolsas da Europa operam majoritariamente em alta, com investidores avaliando balanços corporativos e os resultados trimestrais da Nvidia.
O mercado também repercute a fala da presidente do BCE, Christine Lagarde, que afirmou no Parlamento Europeu que a economia da região cresceu acima do esperado no ano passado e deve ganhar impulso em 2026, com maior demanda das famílias e aumento dos investimentos.
Na Ásia, os índices tiveram desempenho misto, com a Nvidia impulsionando fabricantes de chips. Destaque ainda para o Banco da Coreia, que manteve as taxas de juros inalteradas e elevou sua previsão de crescimento.
O índice KOSPI, da Coreia do Sul, liderou os ganhos ao subir 3,67% e renovar recorde, impulsionado por ações de tecnologia como Samsung e SK Hynix. As empresas anunciaram nova linha de smartphones e plano de investimento de US$ 15,07 bilhões em uma fábrica no país, em meio à repercussão dos resultados da Nvidia.
No Japão, o Nikkei avançou 0,41% após a nomeação de dois acadêmicos com postura mais flexível para o banco central, o que gerou dúvidas sobre novas altas de juros. O movimento pressionou o iene e favoreceu ações de exportadoras.
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa apesar dos resultados da Nvidia acima das expectativas e à espera do encontro entre os líderes dos EUA e Irã em busca de um acordo nuclear.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, investidores monitoram os pedidos semanais de auxílio-desemprego, dado que funciona como termômetro do mercado de trabalho e pode influenciar as próximas decisões de juros.
Também está prevista para as 11h a fala de Michelle Bowman, vice-presidente para supervisão do Federal Reserve (Fed), em meio às discussões sobre o rumo da política monetária americana.
Na zona do euro, o foco recai sobre a divulgação do índice de confiança do consumidor, indicador que sinaliza o nível de otimismo das famílias e ajuda a calibrar expectativas para o consumo e o crescimento da região.
No campo geopolítico, permanece no radar a terceira rodada de negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, em Genebra. Segundo a agência estatal de Omã, o ministro das Relações Exteriores do país, Badr Albusaidi, deve apresentar nesta manhã as propostas mais recentes de Teerã, em uma tentativa de avançar nas tratativas.
No Brasil, a agenda concentra a divulgação do IGP-M de fevereiro e das sondagens de comércio e serviços, ambas da Fundação Getulio Vargas (FGV), indicadores acompanhados de perto para avaliar a dinâmica de preços e o ritmo da atividade.
No campo político, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, firmado em janeiro no Paraguai. O texto segue agora para análise do Senado, em etapa decisiva para a consolidação do tratado.
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