A Strategy (anteriormente conhecida como MicroStrategy), liderada pelo executivo Michael Saylor, revelou uma mudança drástica em sua tática corporativa de aquisição de criptomoedas. Com o Bitcoin cotado a aproximadamente US$ 68.000 (cerca de R$ 395.000), uma queda significativa desde os picos anteriores, e as ações da empresa recuando 72% de suas máximas, Saylor recorreu a uma emissão massiva de ações preferenciais para evitar a diluição do valor patrimonial por ação.
A manobra visa sustentar a compra contínua de BTC, mesmo que isso custe à empresa quase US$ 1 bilhão anuais em dividendos, em um momento de correção severa no mercado cripto.
Em termos simples, a máquina de acumulação de Bitcoin de Saylor funcionava perfeitamente quando as ações da empresa estavam supervalorizadas. Ele vendia ações comuns (que não pagam dividendos) a preços altos e usava o dinheiro para comprar Bitcoin. Isso aumentava a quantidade de “Bitcoin por Ação” (BPS), criando valor para o acionista.
No entanto, com o preço das ações despencando para a faixa de US$ 130, vender ações comuns agora significaria que cada acionista passaria a ter direito a uma fatia menor do tesouro de Bitcoin — o oposto do objetivo da empresa. Para contornar isso, a Strategy mantém sua resiliência financeira optando por emitir ações preferenciais. Diferente das comuns, estas pagam dividendos fixos e funcionam quase como uma dívida, permitindo que a empresa levante capital sem diluir imediatamente a métrica chave de BPS.
Os números apresentados no relatório recente da Strategy mostram uma alavancagem agressiva para manter a posição de maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo. Os dados revelam:
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Apesar da movimentação arriscada, o fluxo institucional não parou. Dados mostram que a demanda corporativa continua sendo um driver, similar a como a BlackRock movimenta milhões em Bitcoin e Ethereum, sinalizando que grandes players ainda apostam na recuperação do ativo a longo prazo, segundo informações da Fortune.
Para o investidor brasileiro, especialmente aqueles expostos a BDRs ou que compram ações da Strategy nos EUA, a mudança altera o perfil de risco do investimento. A empresa deixou de ser apenas um “proxy” (substituto) alavancado de Bitcoin para se tornar uma companhia com obrigações financeiras pesadas.
Se o preço do Bitcoin não subir o suficiente para cobrir os custos da dívida e dos dividendos, a pressão sobre o caixa da empresa pode aumentar. No entanto, o modelo de tesouraria em Bitcoin continua sendo copiado globalmente. Recentemente, vimos como o CEO da Metaplanet rebate críticas sobre sua estratégia de Bitcoin, indicando que empresas públicas ao redor do mundo, do Japão aos EUA, continuam vendo valor na acumulação do ativo, o que pode sustentar preços no longo prazo, beneficiando quem detém a criptomoeda diretamente.
Apesar do otimismo de Saylor, que projeta um cenário onde o Bitcoin pode alcançar US$ 500.000 nos próximos anos, os riscos de curto prazo são palpáveis. A Strategy agora carrega uma dívida total de US$ 8,2 bilhões, com uma “parede de vencimentos” de US$ 6 bilhões agendada para 2028.
O mercado também observa com cautela a entrada de baleias e a volatilidade que movimentos de grandes tesourarias podem causar. Se a Strategy for forçada a liquidar posições para pagar dividendos preferenciais em um cenário de crise, o impacto no preço do BTC seria severo. Analistas céticos, como Peter Schiff, apontam que os ganhos não realizados da empresa encolheram drasticamente, tornando a margem de erro perigosamente fina.
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