Wagner Moura disse ao jornal El País, nesta 5ª feira (19.fev), que teme a atuação do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas). O ator criticou as políticas de controle da imigração do governo Trump durante a divulgação do filme “O Agente Secreto”, filme indicado a quatro categorias do Oscar.
“Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, disse Moura.
Residente em Los Angeles, na Califórnia, Moura mora declarou que temor quanto ao ICE é compartilhado por outros imigrantes. “Conheço muitos latinos que estão escondidos em casa, sem levar os filhos à escola. Vivemos tempos muito tristes“, disse o ator.
O indicado ao Oscar comparou a situação política nos Estados Unidos e no Brasil durante o governo Bolsonaro. Ele disse que regimes autoritários atacam artistas, jornalistas e intelectuais. “A extrema-direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público“, afirmou.
Moura comentou sobre o papel das redes sociais no cenário político e como a percepção sobre plataformas como o Facebook mudou no Brasil. “Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema-direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências“, declarou.


