Marco Kohara, Daniella Castro e Vinicius Ribeiro são os fundadores da Huna Divulgação/Arte EN Quando o assunto é câncer, todo segundo conta. Se a detecção Marco Kohara, Daniella Castro e Vinicius Ribeiro são os fundadores da Huna Divulgação/Arte EN Quando o assunto é câncer, todo segundo conta. Se a detecção

Startup cria tecnologia capaz de detectar sinais de cinco tipos de câncer em um simples hemograma

2026/02/17 17:01
Leu 6 min
Marco Kohara, Daniella Castro e Vinicius Ribeiro são os fundadores da Huna — Foto: Divulgação/Arte EN Marco Kohara, Daniella Castro e Vinicius Ribeiro são os fundadores da Huna — Foto: Divulgação/Arte EN

Quando o assunto é câncer, todo segundo conta. Se a detecção rápida da doença pode significar taxas de recuperação mais altas, diagnósticos tardios costumam exigir tratamentos mais agressivos, com menor chance de sucesso e custos elevados para sistemas de saúde.

Mas e se fosse possível encontrar sinais da doença em um exame de sangue simples, feito todos os dias por milhões de pessoas? E se dados e inteligência artificial pudessem ajudar neste processo? Foi com essa proposta que nasceu a startup Huna.

Fundada em 2022 por Vinicius Ribeiro, Daniella Castro e Marco Kohara, a empresa aposta em inteligência artificial para transformar o hemograma, um dos exames mais básicos da medicina, em uma espécie de triagem para cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata. A partir do uso de algoritmos, a Huna consegue identificar, em meio a dezenas de parâmetros, padrões sutis que podem indicar a presença da doença.

Continuar lendo

Primeiros passos

Os três fundadores têm em comum histórias que envolvem o câncer, seja com perdas na família, seja com dificuldades no enfrentamento da doença por amigos. Antes da Huna, Vinicius, Daniella e Marco já haviam trabalhado juntos em uma empresa de inteligência artificial. Foi lá que começaram a amadurecer a ideia que depois daria origem à nova startup.

A lógica que usaram foi a de que doenças deixam “rastros” no organismo. E a IA é particularmente eficiente para reconhecer padrões complexos em grandes volumes de informação.

Eles perceberam, então, que a aplicação dessa tecnologia poderia interessar aos hospitais, já que o tratamento do câncer consome algo entre 20% e 25% dos custos totais de saúde e é clinicamente complexo - além do número de pacientes estar crescendo em todo o mundo. Ao mesmo tempo, muitos tipos de câncer têm incidência relativamente baixa na população geral, o que torna o rastreamento caro e difícil.

A provocação da Huna foi: por que não olhar para o exame mais comum do mundo? O hemograma é barato, amplamente disponível e realizado em larga escala. O problema é que, na prática, ele costuma ser analisado de forma convencional, sem explorar todo o seu potencial.

"A gente estima no Brasil algo entre 300 e 400 milhões de hemogramas feitos todos os anos, com uma vida útil de 15 minutos. Olha-se o hemograma e descarta-se com facilidade. Por quê? É um olhar convencional, você não destrava o potencial que está ali, tudo que ele consegue trazer para você", diz Ribeiro.

Entre 2022 e 2024, eles conseguiram criar algoritmos que examinam o hemograma e conseguem buscar assinaturas sugestivas de câncer. O primeiro foco foi o câncer de mama.

O papel da Huna é, portanto, apontar, dentro de grandes volumes de bases de dados de seus clientes, quais são as pessoas com mais chance de estar com câncer. Dessa maneira, seus clientes podem investigar esse grupo menor, onde a chance de encontrar a doença é maior.

"Com esse grupo menor de pessoas de alto risco, o sistema de saúde pressionado e com poucos recursos consegue focar a atenção primária nos pacientes mais suscetíveis, trazendo mais eficiência para o sistema inteiro."

Huna — Foto: Arte/EN Huna — Foto: Arte/EN

Dados sensíveis e pesquisa rigorosa

Para treinar os modelos, a empresa precisou ter acesso a uma grande quantidade de dados. Segundo Ribeiro, todo o processo seguiu protocolos éticos rigorosos, com dados anonimizados e aprovação de comitês de ética em pesquisa.

Hoje, a Huna está no centro de um ecossistema de pesquisa com 12 instituições diferentes e não só para câncer de mama. Entre seus parceiros está o Grupo Fleury, que cedeu a primeira leva de dados para o desenvolvimento do treinamento do algoritmo, sempre de forma anônima. Mas a startup deixa claro que não quer substituir o diagnóstico médico.

Do algoritmo à jornada do paciente

Durante seu processo de desenvolvimento, a startup participou de programas do Google for Startups, recebendo mentoria técnica e ferramentas para que conseguissem lidar com o volume de informações que tinham para treinar o algoritmo. Isso ajudou a criar uma infraestrutura segura e escalar os modelos.

Hoje, tem entre seus clientes operadoras de saúde e o sistema público de saúde, como prefeituras e governos do estado. Na prática, seus clientes enviam os hemogramas do universo de dados que querem analisar, eles rodam essas informações no algoritmo anonimizado e devolvem para o contratante uma lista com, por exemplo, os 10% dos pacientes de alto risco.

"Eu não estou dizendo que nesses 10% todo mundo tem câncer. Mas dentro dessa carteira, é 10 vezes mais provável encontrar um caso de câncer. Então, em vez de você procurar por uma agulha no palheiro, de forma aleatória, busque ativamente esses pacientes, estimule o exame", diz Ribeiro.

Nessa relação direta com os clientes, a startup percebeu que só entregar uma lista não resolvia o problema. Por isso, a Huna passou a oferecer também apoio operacional às operadoras de saúde e ao setor público. A empresa ajuda a contatar pacientes e acompanha o processo até o diagnóstico em 30 dias. "A prevenção muda o jogo. A prevenção salva a vida", diz o CEO da Huna.

Próximos passos

"Hemograma é hemograma em qualquer lugar. Câncer é câncer em qualquer lugar", diz Ribeiro. Isso quer dizer que a Huna tem planos, sim, de expansão para outros países.

"Naturalmente, o nosso caminho vai ser ir para fora", diz ele. "Estamos conversando para licenciar o nosso software para México e Colômbia. Estamos construindo parcerias em Portugal, Suíça e Reino Unido. Tem parcerias também na Ásia, com Coreia do Sul e Japão. Há muita demanda. Ainda não conseguimos dar conta de tudo, mas estamos plantando as sementes para que essa tecnologia seja internacionalizada."

Apesar do olhar para fora, a prioridade da Huna ainda é o Brasil. "A gente tem uma obrigação moral de colocar essa ferramenta à disposição da população brasileira e mudar esse cenário do câncer aqui primeiro", diz Ribeiro.

Banner da série Startups Fora de Série — Foto: Clayton Rodrigues Banner da série Startups Fora de Série — Foto: Clayton Rodrigues
Mais recente Próxima A startup fundada por um brasileiro nos Estados Unidos que encantou Canvas, Shopify e até OpenAI e Nvidia
Oportunidade de mercado
Logo de UMA
Cotação UMA (UMA)
$0.5354
$0.5354$0.5354
-8.47%
USD
Gráfico de preço em tempo real de UMA (UMA)
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail [email protected] para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.