O desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite deste domingo (15.fev.2026) no Carnaval de 2026 do Rio de Janeiro, foi estruturado em 5 carros alegóricos que narram momentos centrais de sua trajetória política e pessoal do chefe do Executivo. Leia a íntegra do roteiro do desfile (PDF – 33 MB).
Nas imagens, é possível ver desde a representação da infância de Lula no interior de Pernambuco até cenas que remetem à sua atuação sindical em São Paulo. As alegorias combinam figurinos ricos em cor e simbolismo com cenografia que dialoga com a proposta do enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
O desfile será na noite deste domingo (15.fev), às 21h45. Um dos carros destaca o ambiente de fábrica, referência à história de Lula como líder operário, enquanto outro traz elementos do movimento sindical e das grandes mobilizações populares das décadas de 1970 e 1980. Há também alegorias que evocam as políticas sociais implementadas ao longo dos mandatos presidenciais, com ênfase em temas como educação, inclusão social e combate à fome.
As imagens divulgadas indicam a utilização de cores vibrantes, esculturas estilizadas e insígnias que remetem à identidade cultural brasileira.
Eis os detalhes de cada 1 dos 5 carros alegóricos:
O abre-alas apresenta a paisagem do agreste pernambucano onde Lula nasceu. A alegoria traz esculturas que mesclam elementos da fauna nordestina com representações simbólicas da seca. O pé de mulungu aparece como eixo central da composição, associado à ideia de esperança. Parte das esculturas explora a dualidade entre vida e escassez, com figuras que misturam exuberância e ossadas, reforçando o contraste entre fantasia infantil e realidade da pobreza.
O 2º carro representa a mudança da família Silva para São Paulo na década de 1950. O destaque é um caminhão pau de arara carregado de retirantes, símbolo do fluxo migratório nordestino. Imagens religiosas remetem à fé da mãe de Lula, dona Lindu. A cenografia também inclui referências ao cangaço e à cultura sertaneja, associando a partida à resistência diante da seca e da fome.
Destaque: Bia Lula representa dona Lindu na parte frontal do carro.
Com estética industrial, o 3º carro simboliza a fase de Lula como torneiro mecânico e líder sindical no ABC paulista. Engrenagens, estruturas metálicas e elementos que remetem ao ambiente fabril dominam a composição. A alegoria sugere o “forjamento” político do homenageado, associando o trabalho nas fábricas ao processo que o levou à fundação do PT e à eleição presidencial. Vídeos e imagens históricas são incorporados à cenografia para representar a passagem do tempo.
Destaques: Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente, e representantes do operariado.
A 4ª alegoria aborda os mandatos presidenciais e os programas sociais associados a Lula, como ações de combate à fome e ampliação do acesso à educação. A composição também dramatiza períodos de crise política, com representações da desigualdade social e da polarização. Elementos cenográficos contrastam diferentes camadas sociais e fazem referência ao período em que o presidente esteve preso e ao retorno ao Planalto.
Destaque: Murilo Henrique (Castiçal do banquete).
O último carro encerra o desfile com exaltação à soberania nacional e à democracia. A cenografia inclui referências à arquitetura moderna de Brasília e às cores da bandeira brasileira. Bandeiras e símbolos nacionais reforçam a ideia de defesa das instituições. O encerramento é apresentado como uma celebração do atual mandato e da permanência de Lula na vida política brasileira.
Destaques: Janja da Silva, primeira-dama, e convidados do presidente.
A Acadêmicos de Niterói estreia no Grupo Especial do Carnaval do Rio com um samba-enredo sobre Lula: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
O mulungu é uma árvore nativa do Brasil, encontrada principalmente na Caatinga e na Mata Atlântica. Seu nome científico é Erythrina velutina. Pode atingir até 15 metros de altura. A planta produz flores vermelhas de agosto a janeiro, período em que fica sem folhas. A origem do nome vem do tupi “mussungú” ou “muzungú”, com possíveis raízes etimológicas africanas relacionadas ao significado de “pandeiro”.
Fundada em 2018, a escola participou de só 3 carnavais antes de vencer a Série Ouro (antigo Grupo de Acesso), em 2025, e ser alçada ao grupo de elite do carnaval do Rio. Competirá com agremiações tradicionais do Rio de Janeiro, como Mangueira, Portela e Salgueiro.
A oposição criticou a decisão de Lula ser tema de samba-enredo:
A escolha do enredo não foi a única controvérsia protagonizada pela agremiação fluminense. O Poder360 mostrou, em 5 de fevereiro, que o presidente da escola, Wallace Palhares, foi demitido do cargo de assistente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).
Ouça o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói (6min30s):
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