O mercado de criptomoedas enfrenta um período de volatilidade significativa em fevereiro de 2026, com o Bitcoin (BTC) negociando entre US$ 66 mil e US$ 69 mil nas últimas 24 horas. A criptomoeda acumula queda de 27,99% desde o início do ano, refletindo pressões macroeconômicas globais e mudanças regulatórias que redefinem o setor.
Segundo dados da Binance, o BTC superou a marca de US$ 69 mil no início de fevereiro, com ganho de 4,58% em 24 horas, mas permanece significativamente abaixo dos picos históricos registrados entre julho e outubro de 2025, quando atingiu recordes acima de US$ 100 mil.
A volatilidade atual é impulsionada por fatores macroeconômicos complexos. O banco Standard Chartered alertou para o risco de queda adicional de 25%, que poderia levar o Bitcoin a US$ 50 mil no curto prazo, antes de uma possível recuperação para US$ 100 mil no final de 2026.
Entre os principais fatores de pressão estão:
Outras criptomoedas também sofrem pressão: Ethereum (ETH) recua 0,77%, Binance Coin (BNB) cai 2,02%, e Solana (SOL) desvaloriza 2,33% em 24 horas. A capitalização global do mercado cripto permanece em US$ 2,30 trilhões, com alta modesta de 0,86% no dia.
Em contexto de volatilidade global, o Brasil implementou mudanças regulatórias significativas que marcam uma nova era para o setor de ativos virtuais. Desde 2 de fevereiro de 2026, as novas normas do Banco Central estabelecem a figura das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), exigindo autorização formal para operação.
As principais exigências incluem:
Instituições que operarem sem autorização estarão sujeitas a sanções administrativas, civis e criminais. O processo de autorização junto ao Banco Central exige documentação societária completa, demonstrativos financeiros e comprovações técnicas da infraestrutura operacional.
Além da regulação operacional, o governo brasileiro estuda aplicar uma alíquota de 3,5% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre a compra de criptomoedas, com foco em operações acima de R$ 10 mil para pessoas físicas. A proposta ainda está em fase de minuta e deve ser apresentada em breve.
Paralelamente, foi criado o Rearp (Lei nº 15.265/2025), um regime que permite a regularização de criptoativos não declarados no Imposto de Renda, oferecendo aos contribuintes a oportunidade de normalizar sua situação fiscal com pagamento de imposto e multa.
O Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou o projeto Drex (Real Digital) em 2026, confirmando boa gestão pelo Banco Central, mas recomendando melhorias em privacidade de dados, segurança cibernética e conformidade com boas práticas internacionais.
A volatilidade das criptomoedas não ocorre isoladamente. Tensões geopolíticas globais intensificam a incerteza nos mercados financeiros. Segundo pesquisa do JPMorgan, 41% dos traders identificam tensões geopolíticas como o maior risco para mercados em 2026, duplicando desde 2025 e superando até mesmo preocupações com inteligência artificial (19%).
As rivalidades entre Estados Unidos e China redefinem cadeias de suprimento globais, com controles chineses sobre minerais raros e esforços ocidentais para diversificar recursos estratégicos. Europa, China e Japão planejam programas de estímulos fiscais para combater deflação e baixo crescimento, criando um cenário de incerteza para investimentos em ativos de risco como criptomoedas.
Enquanto criptomoedas enfrentam volatilidade, moedas digitais de banco central (CBDCs) avançam em desenvolvimento global. O Brasil continua desenvolvendo o Drex, uma CBDC baseada em blockchain para pagamentos eficientes, contratos inteligentes e transações internacionais rápidas.
A China lidera com o e-CNY (renminbi digital), amplamente testado desde 2020 em transações cotidianas e pagamentos offline. Os EUA exploram uma CBDC via Federal Reserve, em estudos iniciais sobre privacidade e estabilidade financeira, mas sem decisão de lançamento até 2026.
Apesar da volatilidade atual, analistas mantêm otimismo de longo prazo. Previsões para fevereiro de 2026 variam amplamente, refletindo incerteza do mercado. A Changelly projeta preços entre US$ 68 mil e US$ 72 mil para o mês, enquanto Standard Chartered alerta para possível queda a US$ 50 mil antes de recuperação.
O mercado aguarda catalisadores positivos: possíveis cortes de juros nos EUA, aprovação de novos produtos de investimento em criptomoedas, e maior clareza regulatória global. A implementação de regulações brasileiras pode servir como modelo para outros países emergentes, potencialmente aumentando a adoção institucional de criptoativos.
Investidores devem manter cautela diante da volatilidade contínua, monitorando dados macroeconômicos, desenvolvimentos geopolíticos e mudanças regulatórias que podem impactar significativamente os preços das criptomoedas nos próximos meses.
O mercado de criptomoedas em fevereiro de 2026 reflete um momento de transição: pressões macroeconômicas globais, tensões geopolíticas, e implementação de regulações mais rigorosas redefinem o setor. Enquanto Bitcoin oscila entre US$ 66 mil e US$ 69 mil, o Brasil estabelece novos padrões regulatórios que podem servir como referência global. O futuro das criptomoedas dependerá da capacidade do setor em se adaptar a este novo ambiente regulatório, mantendo inovação e segurança para investidores.

