O Brasil é o País do samba, do agro e (apesar da fase atual) do futebol.
Mas Mariano Gomide quer que o Brasil conquiste outro título: “o País da engenharia”.
Para isso, o cofundador da VTEX está criando a marca “Brazilian Engineering”, um movimento que visa engrandecer os profissionais do setor no Brasil e no resto do mundo.
“Há muitos anos a VTEX sofre com preconceitos em relação ao desconhecimento do mundo da engenharia brasileira. Por que uma empresa brasileira não pode ambicionar o planeta?” Mariano disse ao Brazil Journal.
Segundo o empreendedor, motivos para engrandecer a engenharia brasileira não faltam. Para ele, empresas como Embraer, WEG, Havaianas e a própria VTEX já mostraram seu valor para o mundo.
O problema é que, às vezes, “nem o próprio brasileiro enxerga esse valor,” disse Mariano.
Sua ideia é criar uma marca que faça o mesmo papel que o “Made in China” teve para ajudar a consolidar o gigante asiático como a fábrica do mundo.
Por isso, nem a VTEX nem Mariano terão propriedade sobre a marca: a estratégia é deixá-la disponível para qualquer empresa que queira deixar claro ao mercado que se trata de uma companhia brasileira.
“Não se trata de um projeto, mas de um movimento. Qualquer empresa que adotar isso vai ajudar um movimento que pode beneficiar gerações de brasileiros. É um compromisso de longo prazo,” disse.
Até agora, 59 empresas ou instituições apoiaram o movimento, incluindo a Endeavor, o Amigos da Poli (o endowment da faculdade de engenharia da USP) e a Reditus (endowment ligado aos cursos de engenharia e ciência da computação da UFRJ).
Mariano disse que não existe timing melhor para este movimento, porque hoje, dentre os principais polos de formação de engenheiros do mundo, só o Brasil não está envolvido diretamente ou indiretamente em questões geopolíticas.
“Por coincidência ou consistência, está surgindo uma unanimidade no mundo de que a engenharia da América Latina vai ser a engenharia para o Ocidente,” disse Mariano.
Na visão dele, o Brasil não tem um problema estrutural tão grave quanto se costuma repetir.
Como a VTEX emprega engenheiros em 20 países, Mariano disse que o ambiente brasileiro não é o pior nem em flexibilidade trabalhista nem em carga tributária quando comparado a outros mercados.
Prova disso, segundo ele, é que gigantes como Amazon, Google, Meta e Microsoft estão contratando agressivamente no Brasil.
Mariano aposta que o efeito do Brazilian Engineering pode ser tanto simbólico – por criar identidade num ativo já existente – quanto econômico, por ajudar a reposicionar o País como exportador de serviços de alto valor agregado.
Ele descreve a cena que gostaria de ver: alguém embarcando em um avião da Embraer nos Estados Unidos e lendo “Brazilian Engineering” na fuselagem.
Segundo ele, a curiosidade vira reputação – que se transforma em demanda, gerando riqueza para todos os pólos tecnológicos do País.
“Com isso a gente muda o País,” disse Mariano.
Já seria um belo começo.
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