O Governo jogou uma bomba no colo da Eneva e de outros investidores em termelétricas, ao definir um preço-teto muito abaixo do previsto para essas usinas no leiO Governo jogou uma bomba no colo da Eneva e de outros investidores em termelétricas, ao definir um preço-teto muito abaixo do previsto para essas usinas no lei

Governo joga uma bomba no colo da Eneva – e aumenta risco do sistema

2026/02/10 23:16
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O Governo jogou uma bomba no colo da Eneva e de outros investidores em termelétricas, ao definir um preço-teto muito abaixo do previsto para essas usinas no leilão de capacidade marcado para março. 

A ação da Eneva mergulhava 17% por volta do meio-dia, saindo a R$ 18,18 na sequência da divulgação dos números.

Mas o impacto não é só para a empresa controlada pelo BTG Pactual, até então considerada favorita para o leilão. A frustração com os valores propostos gera preocupação de que a licitação possa não conseguir contratar nenhuma nova termelétrica, elevando os riscos para o próprio sistema elétrico, fontes do setor disseram ao Brazil Journal

Por outro lado, empresas com projetos de expansão de hidrelétricas cadastrados para o leilão, como a Copel, principalmente, e a AXIA Energia, devem se beneficiar neste cenário, disse um analista. 

O preço-teto proposto pelo Ministério de Minas e Energia ficou em R$ 1,12 milhão por MW.ano para a recontratação de térmicas existentes, e de R$ 1,6 milhão MW.ano para novos projetos a gás. Para as hidrelétricas, R$ 1,4 milhão / MW.ano. 

O Citi esperava ao menos R$ 3,1 milhões por MW.ano para novas usinas térmicas, considerando um retorno (TIR) real de 10% – o mínimo que a maioria das empresas aceitaria de retorno.

“Os números vieram muito abaixo do que consideramos o preço mínimo necessário para remunerar adequadamente um novo projeto (termelétrico),”  escreveu o banco em nota a clientes.

“Os números parecem muito estranhos,” concordou o analista da XP, Raul Cavendish. 

Ele estima que, se a Eneva recontratasse suas usinas existentes e viabilizasse uma expansão da Celse nos preços propostos pela Aneel, o preço de tela da ação deveria ser de R$ 16 – sugerindo downside adicional no papel.

Para o Citi, se a Eneva recontratar suas usinas no preço-teto e não vender a expansão da Celse devido à falta de atratividade do valor proposto, o preço-alvo para a ação cairia de R$ 25 para R$ 20.

Ontem, a ação fechou a R$ 21,94. O papel vinha sendo impulsionado nos últimos meses pelo otimismo dos investidores com a participação da companhia no leilão.

Empresas como Petrobras e Âmbar Energia, da J&F Investimentos, também pretendiam colocar novos projetos termelétricos no certame. Mas “nenhum projeto novo (de termelétrica) fica de pé nesse preço-teto. Muito difícil entender esse número apresentado,” disse um analista.

No caso da Eneva, alguns analistas acreditam que a empresa já havia até pagado para reservar turbinas para a disputa, em meio à escassez de equipamentos gerada por um superaquecimento dos investimentos globais em usinas a gás. 

O leilão de capacidade de março é defendido por especialistas como fundamental para contratar projetos que possam atender picos de demanda por energia no sistema no fim da tarde, quando a geração solar acaba.

Se o leilão não conseguir contratar capacidade suficiente para atender à elevada demanda esperada, “pode haver problema no pico nos próximos anos,” disse um analista. “O Governo está colocando o sistema em risco.” 

Empreendimentos hidrelétricos, porém, podem se beneficiar na disputa do leilão. A Copel, por exemplo, pretende viabilizar uma expansão de sua maior usina, Foz do Areia, e o projeto é visto como altamente competitivo. A AXIA também tem projetos hídricos na disputa.

O edital do leilão, com os preços-teto, foi aprovado hoje pela diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica, em reunião pública. 

No mercado financeiro, alguns analistas questionavam se o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, poderia intervir, após a repercussão negativa de hoje.

Os preços-teto, porém, foram aprovados pelo próprio Ministério, usando os cálculos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Os valores foram enviados à ANEEL ontem, em ofício assinado pelo secretário-executivo da pasta, Gustavo Cerqueira Ataide.

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