Este é o 1º ano desde a pandemia de covid em que tanto o valor quanto o volume das exportações de vacinas aumentaramEste é o 1º ano desde a pandemia de covid em que tanto o valor quanto o volume das exportações de vacinas aumentaram

Vacinas puxam alta de exportações farmacêuticas da China em 2025

2026/02/07 17:20
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As exportações chinesas de vacinas para uso humano interromperam uma sequência de vários anos de declínio em 2025, à medida que as principais farmacêuticas se voltaram agressivamente para os mercados externos para compensar o crescimento doméstico em declínio.

Dados da Administração Geral de Alfândegas mostram que as exportações de vacinas para uso humano totalizaram US$ 330 milhões em 2025, um aumento de 53,51% em relação ao ano anterior. O volume de exportação saltou 130,54%, para 357,84 toneladas. Esse é o 1º ano desde a pandemia da covid em que tanto o valor quanto o volume das exportações de vacinas aumentaram, sinalizando uma normalização do mercado depois da volatilidade dos anos da pandemia.

Embora as principais empresas continuem sob pressão, muitas destacaram a contribuição dos mercados internacionais em suas recentes projeções de lucros para 2025.

A Walvax Biotechnology, listada em Shenzhen, informou que sua receita total com vacinas caiu cerca de 8% em 2025. No entanto, embora a queda na receita doméstica tenha diminuído, a receita proveniente do exterior continuou a crescer, com um aumento de 35% na receita de exportação em comparação com o ano anterior.

A Beijing Wantai Biological Pharmacy, conhecida como Wantai, observou que a receita internacional de sua vacina bivalente contra o HPV apresentou um “crescimento exponencial”, embora não tenha divulgado números específicos.

As exportações de vacinas da China dispararam durante a pandemia, atingindo um pico de aproximadamente US$ 14,5 bilhões em 2021, um aumento de mais de 50 vezes em relação aos níveis anteriores. A demanda evaporou com o recuo da pandemia, fazendo com que as exportações se contraíssem para US$ 929 milhões em 2022 e para US$ 203 milhões em 2023. Desde então, as vacinas convencionais substituíram as vacinas contra a covid como principal motor das exportações.

A província de Liaoning ocupou o 1º lugar em valor de exportação de vacinas em 2025, seguida por Pequim, Fujian e Yunnan, refletindo a localização das principais províncias produtoras do país.

Liu Peicheng, vice-chefe do comitê de marketing da Associação Chinesa de Vacinas, disse à Caixin que os principais produtos de exportação incluem vacinas contra hepatite A da Sinovac, vacinas contra raiva da Liaoning Chengda Biotechnology, vacinas PCV13 da Walvax, vacinas contra EV71 do Instituto de Biologia Médica de Kunming e vacinas contra HPV da Wantai.

“As exportações de vacinas da China no cenário pós-pandemia são essencialmente as exportações de empresas de 1ª linha, e não de toda a indústria”, disse Liu.

Ele observou que a pré-qualificação da OMS (Organização Mundial da Saúde) impulsionou significativamente as exportações de vacinas contra hepatite A, varicela e HPV bivalente. No entanto, a escassez global de produtos como as vacinas PCV e antirrábica fez com que esses produtos apresentassem volumes substanciais de exportação mesmo sem a pré-qualificação da OMS.

Obter a pré-qualificação da OMS é um pré-requisito crucial para participar de licitações públicas globais. Dada a natureza altamente regulamentada do setor, a maioria dos países consulta continuamente os padrões da OMS ao revisar e aprovar vacinas, afirmou Liu.

Um executivo de uma empresa de vacinas focada na expansão global disse à Caixin que a indústria nacional entrou em uma fase desafiadora. “Na falta de vacinas exclusivas, as empresas precisam expandir os territórios de vendas de seus produtos existentes ou desenvolver novos”, afirmou o executivo. As direções para o crescimento incluem vacinas para adultos, vacinas não obrigatórias da “Categoria II” e vacinas combinadas. No entanto, o executivo acrescentou que a exigência de pré-qualificação da OMS representa uma barreira para muitas empresas.

Atualmente, nove vacinas chinesas obtiveram a pré-qualificação da OMS. Entre elas, estão as vacinas orais e inativadas contra a poliomielite, de subsidiárias da Sinopharm e da Sinovac; a vacina contra varicela, da Sinovac Dalian; a vacina contra encefalite japonesa, do instituto da Sinopharm em Chengdu; a vacina contra gripe, do instituto da Sinopharm em Changchun; e as vacinas bivalentes contra o HPV, da Wantai e da Walvax.

Os países em desenvolvimento continuam sendo o principal destino. Em seu relatório provisório de 2025, a Walvax enfatizou as oportunidades ao longo da “Iniciativa Cinturão e Rota”, relatando uma receita de US$ 30 milhões no exterior no 1º semestre e a entrada em novos mercados como Gana e Mianmar. Os principais parceiros comerciais das vacinas chinesas nos últimos anos incluem Brasil, Bangladesh, Marrocos, Indonésia e Paquistão.

Os preços de exportação têm apresentado flutuações significativas.

Em 2024, o valor das exportações cresceu 6,94%, apesar de uma queda de 4,11% no volume, uma distorção causada por um aumento de 9,42% no preço unitário médio, segundo a Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Medicamentos e Produtos de Saúde.

Essa tendência se reverteu em 2025. O preço médio de exportação caiu para US$ 0,93 por quilograma, uma queda de 33% em relação aos US$ 1,40 por quilograma registrados em 2024, com base em cálculos alfandegários.

Liu interpretou o fenômeno de “aumento do volume e queda do preço” não como um simples corte de preços, mas como resultado de uma mudança no mix de produtos em direção às vacinas convencionais. “As exportações de vacinas convencionais destinam-se principalmente a programas nacionais de imunização ou a aquisições de organizações internacionais, onde os preços são mais baixos do que no mercado privado”, afirmou.

A diferença de preço é gritante quando comparada às importações. A China importou US$ 1 bilhão em vacinas em 2025, totalizando 420,02 toneladas. Isso implica um preço médio de importação de aproximadamente US$ 2,60 por quilograma.

Liu observou diferenças estruturais: as exportações são dominadas por produtos consolidados que utilizam tecnologia tradicional e competem em valor e volume, enquanto as importações consistem, em grande parte, em produtos de alto preço. No entanto, o preço médio das importações caiu mais de 47% em 2025, provavelmente por conta da redução das importações da cara vacina nonavalente contra o HPV.

Os dados de importação refletem mudanças profundas no mercado interno. Depois de atingir o pico em 2023, tanto o valor quanto o volume das importações de vacinas diminuíram, com o valor despencando aproximadamente 78% em relação ao ano anterior em 2025.

Liu sugeriu que a forte contração nas importações em 2025 indica que os estoques domésticos de vacinas estão elevados, forçando o mercado a um ciclo de redução de estoques.

Por exemplo, em fevereiro de 2025, a Merck –conhecida como MSD fora dos EUA e Canadá– suspendeu o fornecimento de sua vacina Gardasil para a China. A empresa informou à Caixin na época que a medida era um “ajuste gradual” por causa da fraca demanda do consumidor e aos altos estoques nos canais de distribuição. Em junho de 2025, a Wantai recebeu aprovação para sua vacina HPV nonavalente para o mercado interno, encerrando o monopólio de 8 anos da Merck nesse lucrativo segmento.

Com a pressão interna persistindo, as empresas estão intensificando seus esforços de expansão global.

Para as vacinas já existentes, Liu recomendou intensificar a promoção no exterior, buscar a pré-qualificação da OMS e “encontrar parceiros locais confiáveis”.

Ele sugeriu que, quando as condições forem favoráveis, as empresas chinesas considerem a criação de joint ventures para consolidar sua presença nos países-alvo. Além disso, aconselhou os fabricantes de vacinas chineses a desenvolverem novos produtos que atendam tanto às necessidades do mercado interno quanto aos padrões internacionais de registro.


Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 6.fev.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.

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