Ministro das Cidades diz que investimento público na área precisa continuar para reduzir falta de residências adequadasMinistro das Cidades diz que investimento público na área precisa continuar para reduzir falta de residências adequadas

País tem deficit de 6,9 milhões de habitações, diz Jader Filho

2026/02/07 17:00
Leu 7 min

O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho (MDB), 49 anos, disse que os investimentos públicos em habitação precisam continuar para reduzir o deficit de 6,9 milhões de unidades no país.

O dado mais recente disponível é do final de 2023. Inclui a falta de moradia. Também locais precários sem título de propriedade. É o caso de muitas favelas.

Jader Filho é filho do senador Jader Barbalho (MDB-PA) e irmão do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). É ministro das Cidades desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início de 2023. Deu entrevista ao Poder360 na 5ª feira (5.fev.2026).

Assista à entrevista (27min30s):

Em 2022, o deficit era de 7 milhões de habitações, segundo o ministro. Ele disse que o número deverá ser menor a cada ano até 2026.

Jader Filho é presidente do MDB do Pará. Defende que o partido apoie Lula, se ele for candidato à reeleição, desde o início da campanha. Diz que há divergência sobre o tema entre diretórios da legenda em cada Estado do país.

A seguir, trechos da entrevista:

Poder360 – O senhor será candidato em 2026?
Jader Barbalho FilhoSim, serei candidato a deputado federal pelo Pará. Será a 1ª vez. Nunca fui votado. Vou me desincompatibilizar [do cargo de ministro] no início de abril.

O MDB apoiará o presidente Lula caso ele seja candidato à reeleição?
E eu sou da corrente que, por uma questão de coerência, defende que o MDB deve acompanhar o presidente Lula desde o 1º turno. O MDB hoje faz parte do governo. Tem 3 grandes ministérios: o Ministério das Cidades, que tem programas como Minha Casa, Minha Vida, programas, de mobilidade, saneamento, o dos Transportes, do ministro Renan Filho, e a ministra Simone Tebet no Planejamento.

E qual é a chance de apoiar?
O MDB sempre respeitou as suas correntes regionais. Tem Estados que são mais próximos do presidente. Tem Estados que não são tão próximos assim. E o MDB tem sempre uma tradição democrática. A gente tira essa dúvidas em convenção respeitando todos.

Quantas casas do Minha Casa Minha Vida foram entregues desde o início de 2023?
Já são mais de 1 milhão de casas entregues. Há mais de 1 milhão de casas em obras. Nós alcançamos a meta que foi estabelecida pelo presidente Lula em 4 anos com 1 ano e 1 mês antes de antecedência. Estamos perto já de 2,2 milhões de casas contratadas. Queremos até o final de 2026 chegar a 3 milhões de casas contratadas. Podemos chegar perto de 2 milhões de casas entregues no fim de 2026 e até ultrapassar esse número.

Como é a comparação com governos anteriores?
É o maior ciclo de contratação da história do Minha Casa Minha Vida, responsável por 85% de todos os lançamentos imobiliários no Brasil até outubro de 2025. Levamos o cheque de entrada do Minha Casa, Minha Vida para R$ 55.000. O grande problema hoje das famílias é dar a entrada, seja da faixa 1, dos que ganham até R$ 2.850 , da faixa 2, até R$ 4.200, da faixa 3, em torno de R$ 9.000, e da classe média, que vai até R$ 12.000. O valor da parcela do Minha Casa Minha Vida, na maioria das vezes, é menor do que o aluguel que as famílias pagam. A gente trouxe um público que antes não tinha capacidade de tomar de financiamento.

Qual é o deficit habitacional do Brasil hoje?
Temos um deficit que continua elevado, mas nós conseguimos reduzir de 7 milhões para em torno de 6,9 milhões e caindo. Isso é o número de 2023. Vai ser melhor em 2024 e em 2025. E 2026 será o menor de toda essa trajetória. O que aponta isso são as contratações que nós estamos fazendo. Não é só a pessoa que quer a casa que está em deficit. Uma pessoa que não tem o título de propriedade do seu terreno, da sua casa, está também. Estamos fazendo investimentos com Estados e município de regularização fundiária, para que as pessoas possam ter o título de propriedade. No Orçamento Geral da União, temos R$ 500 milhões destinados só para regularização fundiária. Hoje [5ª feira, 5.fev] assinamos com o presidente Lula e a ministra Esther Duek [Gestão], o primeiro contrato, que é com a Quinta do Lebrão, em Teresópolis. Vamos atender mais de 4.000 famílias. Outro ponto importante: se uma família não tem um banheiro exclusivo naquela casa, está em deficit. Criamos um outro programa, o Reforma Casa Brasil, para atender a pessoa que não quer uma casa nova, quer melhorar o telhado, a cozinha, construir um banheiro, um quarto novo para o filho ou para a filha. A gente está num ciclo muito forte de contratação no setor da construção civil, que é um dos setores que mais emprega na nossa economia. No ano passado, a economia do Brasil cresceu a 3,6%. A construção civil cresceu 4,2%. O Minha Casa Minha Vida representa o 85% disso.

O Brasil deixará de deixar áreas precárias em favelas, por exemplo?
Nós precisamos trabalhar com perenidade. Em 4 anos [do governo de Jair Bolsonaro, PL] extinguiram o programa Minha Casa Minha Vida. Houve um gap de investimentos na questão da habitação. A mesma coisa aconteceu com investimentos em urbanização de favelas. Nós investimos, a partir do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], mais de R$ 11 bilhões em urbanização de favelas.

Em saneamento básico, qual foi a evolução?
Nós fizemos investimentos de mais de R$ 60 bilhões em abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem. A gente busca a universalização de água e esgoto até 2033. Uma outra frente são as debêntures incentivadas, a partir do Ministério das Cidades, para que a iniciativa privada possa captar dinheiro muito acessível no mercado e fazer os investimentos necessários para que a gente alcance a universalização.

As cidades do Norte, do Nordeste vão chegar à universalização do saneamento com o restante do país?
Existem Estados que estão muito mais avançados frente a outros Estados. Canalizamos recursos para onde precisa de mais investimentos, onde tem mais falta de água, onde tem mais necessidade de esgotamento sanitário.

As regras de privatização do marco do saneamento de 2020 favoreceram a universalização?
Isso é muito importante. Não acredito que o setor privado ou o setor público terão recursos o suficiente para alcançar a universalização. Daqui para 2033, faltam 7 anos. Eu acho que 7 anos para as pessoas aguardarem ter água tratada em casa é muito tempo. Não é aceitável que a gente venha a dilatar isso.

Emendas de congressistas ao Orçamento tiveram um crescimento muito grande nos últimos 10 anos. Qual a sua avaliação sobre isso?
Nós temos que chegar ao meio termo disso. Não tem como a gente continuar avançando. Tem investimentos para estados e municípios. O problema é o volume disso, porque acaba tirando do Poder Executivo um recurso com que se poderia fazer grandes investimentos em abastecimento de água, mobilidade, casa própria. O Brasil precisa ter sensibilidade de encontrar equilíbrio para que a contribuição do Parlamento continue fazendo chegar o recurso aonde não chegava anteriormente, onde o poder central não enxergava. Mas não pode haver um excesso que tire o recurso e o governo federal não consiga fazer as obras necessárias para o desenvolvimento.

Há obras paralisadas?
Quando nós chegamos, tínhamos 87.000 obras paralisadas só do Minha casa Minha Vida. Nós já retomamos cerca de 70.000 dessas obras. Em algumas tem processo judicializado, não se consegue avançar.

O que está sendo feito para prevenção de deslizamentos e enchentes?
Quando nós chegamos ao Ministério das Cidades, tínhamos somente R$ 6 milhões no Brasil para prevenção, seja para contenção de encostas, seja para drenagem. No ciclo de contratação do primeiro PAC, do segundo PAC, nós chegamos, só para prevenção, a R$ 35 bilhões. Só para o Rio Grande do Sul foram 6,5 bilhões em obras de prevenção. Nos últimos 4 anos que antecederam o 3º mandato do presidente Lula, a prevenção não era prioridade.

O que ficou da COP30 para Belém?
A cidade passou para o centro das discussões. Desde a COP de Dubai [em 2024] a gente começa a perceber isso. A maior parte das emissões são das cidades. Não estou tirando a importância da questão ambiental. Temos que continuar cuidando da nossa floresta.

Oportunidade de mercado
Logo de TEM MARKET
Cotação TEM MARKET (TEM)
$0.02746
$0.02746$0.02746
-17.11%
USD
Gráfico de preço em tempo real de TEM MARKET (TEM)
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail [email protected] para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.