O deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa, divulgou na 4ª feira (4.fev.2026) uma nota técnica em que diz que o aumento salarial no Congresso é uma “contrarreforma” por ignorar impactos fiscais ao promover gastos e penduricalhos. Eis a íntegra (PDF – 237 kB).
“Não sou contra reajustes nem reestruturação de carreiras no serviço público –desde que existam recursos e responsabilidade fiscal. O problema que vemos nesses projetos aprovados nessa última semana é que eles estão exatamente no oposto disso”, declarou.
A Câmara dos Deputados aprovou na 3ª feira (3.fev) o PL 179 de 2026, em votação simbólica –quando não há registro do voto de cada congressista, fruto de um acordo entre os líderes partidários. O texto apresenta um impacto anual de cerca de R$ 500 milhões. Também foi aprovado o PL 6.070 de 2025, que trata da remuneração para o Senado, com gasto previsto no Orçamento de 2026 de cerca de R$ 200 milhões. Seguem, agora, para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além do aumento salarial, os textos também reestruturam as gratificações vinculadas a desempenho e funções estratégicas. Uma das medidas estabelece a chamada “licença compensatória”, com a possibilidade de uma folga a cada 3 dias trabalhados, que pode ser convertida em pagamento em dinheiro e sem cobrança de IR (Imposto de Renda), o que permite que se ultrapasse o teto constitucional pago a quem trabalha para o governo, atualmente de R$ 46.366,19.
Além dos 2 projetos que tratam do aumento para seus funcionários, os deputados aprovaram o PL 5.874 de 2025 –que totaliza uma despesa extra de R$ 5,3 bilhões em 2026. Somados aos R$ 700 milhões para o Congresso, o impacto chega a R$ 6 bilhões.
O deputado disse que os projetos vão na contramão do que a reforma administrativa propõe e listou 7 principais contrastes:
Pedro Paulo afirmou que o ano eleitoral está sendo usado para justificar o adiamento da discussão e votação de reformas estruturantes, como a administrativa.
“Cada órgão avança nas suas próprias pautas e mini-reformas, que vão no sentido oposto ao que a sociedade espera: mais transparência, eficiência e melhores serviços”, disse. Segundo ele, “enquanto a sociedade espera uma postura firme do Congresso”, apenas 2 congressistas “registraram voto contrário a essa matéria”. Ele declarou: “Eu fui um deles”.
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