As conferências de resultados (ou calls de resultados), onde as empresas apresentam seus números para o mercado, estão perdendo o perfil de “agenda obrigatória”As conferências de resultados (ou calls de resultados), onde as empresas apresentam seus números para o mercado, estão perdendo o perfil de “agenda obrigatória”

Na disputa por conexão com investidores, empresas trocam o protocolar “call de resultados” por Investor Day

As conferências de resultados (ou calls de resultados), onde as empresas apresentam seus números para o mercado, estão perdendo o perfil de “agenda obrigatória” para servir como meio de criar conexão entre a companhia e investidores em potencial.

Eventos como Investor Day — onde a companhia apresenta de forma profunda sua visão de longo prazo, estratégias de crescimento e meta — são, na visão de Beatriz Silva, head de RI da Espaço Laser (ESPA3) um espaço para dar acesso a informações que antes dificilmente circulavam.

Durante o IR Summit 2026, promovido pela MZ Group nesta quinta-feira (29), em São Paulo, Beatriz contou como as conferências de resultados cumpriam o protocolo exigido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de passar as informações da companhia no trimestre e envolviam normalmente apenas o CEO (Diretor Executivo) e o CFO (Diretor Financeiro).

Com os Investor Days, todos os executivos C-Level (alto escalão da empresa) passam a ser envolvidos, permitindo que o mercado conheça mais sobre aquela companhia e saiba onde ela está posicionada operacionalmente e estrategicamente.

A adoção, no entanto, ainda é um desafio na área de Relações com Investidores (RI) e gera um afastamento entre companhias e acionistas. Um estudo da MZ Group revelou que, no primeiro semestre de 2025, o número de Investor Day recuou 37% na comparação anual. Somente 2,7% das 346 empresas analisadas pela empresa realizaram esses encontros.

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Transparência e controle da narrativa

Para Clediane Silva, gerente de RI da JHSF (JHSF3), o evento é uma oportunidade de reforçar o planejamento estratégico além dos números brutos. Ela destaca a importância de a empresa dominar sua própria história: “Se você não se posiciona, o mercado vai fazer isso por você”, disse durante o painel.

A transparência em temas sensíveis também foi apontada como fundamental. Beatriz Silva ressaltou que evitar assuntos difíceis ou mudar a narrativa a cada trimestre gera desconfiança e perda de credibilidade junto ao investidor.

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“Não podemos evitar ou fugir de falar sobre eventos extraordinários em uma divulgação de resultados, porque é algo que o investidor quer entender”, afirmou Beatriz.

Frequência dos eventos e o momento da companhia

A periodicidade desses encontros foi tema de debate entre os painelistas. Sandra Vieira, coordenadora de RI da Kepler Weber (KEPL3), defendeu a realização anual para verificar se as estratégias prometidas estão sendo cumpridas.

Por outro lado, Igor Pazello, especialista de RI da Alpargatas (ALPA4), pontuou que a realização depende do momento da empresa. Em períodos de turnaround — período ocupado normalmente por processos de reestruturação interna —, a companhia pode precisar de mais tempo interno antes de se comunicar com o mercado.

“Precisávamos sentir que as pessoas estavam acreditando mais na companhia e retomar a credibilidade para que elas engajassem para realizarmos um novo Investor Day”, disse Pazello, relembrando que a Alpargatas ficou quatro anos sem o evento (entre 2021 e 2025).

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Engajamento e novos formatos para o Investor Day

Os especialistas destacaram que o formato dos eventos tem evoluído para aumentar o engajamento. No primeiro semestre de 2025, o formato presencial liderou (50%), seguido pelo híbrido (41,7%).

Igor Pazello mencionou a utilização de formatos como “talk shows” para tornar as apresentações menos estáticas e mais próximas do que os investidores desejam ouvir. Já Clediane Silva observou que o uso de produções mais profissionais nos calls de resultados da JHSF elevou a audiência em 30%.

O acompanhamento pós-evento, conhecido como perception study (estudo de percepção), também foi citado como ferramenta essencial para ajustar a comunicação e fazer com que os investidores criem mais laços com a companhia.

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