O crescente interesse da Tether por ouro físico está transformando a maior emissora de stablecoin do mundo em uma nova força no mercado de metais preciosos. A eO crescente interesse da Tether por ouro físico está transformando a maior emissora de stablecoin do mundo em uma nova força no mercado de metais preciosos. A e

Tether compra até 2 toneladas de ouro por semana e pode influenciar preço do metal

2026/01/29 19:30

O crescente interesse da Tether por ouro físico está transformando a maior emissora de stablecoin do mundo em uma nova força no mercado de metais preciosos. A empresa compra de uma a duas toneladas de ouro por semana e já acumula reservas avaliadas em até US$ 24 bilhões.

O movimento levanta uma questão: seria a Tether capaz de influenciar, sozinha, o preço do ouro?

CEO quer elevar ouro para 15% do portfólio da Tether

O CEO Paolo Ardoino afirmou que a Tether pretende elevar a participação do ouro para 10% a 15% do portfólio de investimentos, acima dos níveis anteriores, que giravam em torno de 7%.

Caso se concretize, a mudança pode consolidar o ouro como ativo de reserva central, ao lado dos títulos do Tesouro dos EUA e do Bitcoin. Com a circulação do USDT próxima de US$ 186 bilhões, esse movimento implicaria a compra adicional de vários bilhões de dólares em ouro, considerando que o portfólio e os lucros retidos sigam avançando.

Tether (USDT) Market CapValor de mercado da Tether (USDT). Fonte: DefiLlama

Empresa já detém até 140 toneladas de ouro físico

Na prática, a Tether pode já estar próxima do limite inferior dessa meta. Divulgações recentes sugerem que a empresa possui cerca de 130 a 140 toneladas de ouro físico, avaliadas em aproximadamente US$ 23–24 bilhões.

Isso coloca o ouro em uma fatia de 12% a 13% do total dos ativos da empresa, após um ano de compras expressivas e com preços acima de US$ 5 mil por onça.

Ardoino confirmou que a Tether está adquirindo de uma a duas toneladas de ouro por semana, e que essas aquisições devem continuar, pelo menos, nos próximos meses.

Do ponto de vista da dinâmica de mercado, o impacto imediato está concentrado praticamente exclusivo no lado da demanda. A oferta de ouro é conhecida por ser bastante inelástica no curto prazo.

A produção global de ouro gira em torno de 3.500 a 3.600 toneladas anuais, com outros 1.200 a 1.500 toneladas provenientes de reciclagem. Esse volume não pode ser ampliado de modo relevante em resposta a picos de demanda em algumas semanas ou meses.

Por isso, as compras da Tether vêm dos estoques existentes acima do solo, negociados em mercados over-the-counter e refinadores suíços, não das bolsas de futuros.

Como a compra de ouro da Tether influencia os preços?

Em um ritmo anual de 50 a 100 toneladas, a demanda da Tether representa cerca de 1% a 2% da oferta global por ano. Esse volume é insuficiente para dominar o mercado, mas já exerce influência relevante na margem.

No curto prazo, o principal efeito é a restrição da liquidez física. Ao acumular ouro real depositado em cofres, em vez de apenas realizar operações em contratos, a Tether reduz a quantidade disponível para negociações entre dealers e custodians.

Quando há simultaneamente demanda elevada de bancos centrais e ETFs, essa menor liquidez pode estreitar spreads e tornar os preços mais sensíveis a novos compradores.

No que diz respeito ao preço, a influência exercida tende a ser de sustentação, não explosiva. Compras semanais de uma a duas toneladas representam fração pequena do volume negociado globalmente por dia, especialmente nos mercados de futuros.

No entanto, as compras são previsíveis, baseadas no balanço e acumulativas, o que contribui para reforçar níveis mínimos de preço.

Considerando apenas as operações da Tether, os fluxos desse porte podem impulsionar o preço do ouro em 1% a 3% em curtos períodos. Isso se intensifica em cenários de dólar mais fraco, queda dos juros reais ou maior risco geopolítico.

Outro aspecto relevante é o impacto nas expectativas. Ardoino recorrentemente apresenta o ouro como um ativo de reserva semelhante ao de um banco central, discurso que ganha força num momento em que instituições oficiais intensificam aquisições.

Bancos centrais têm acrescentado mais de 1.000 toneladas anualmente. O destaque da Tether como compradora relevante e transparente reforça a percepção do ouro como proteção diante da desvalorização cambial e riscos políticos.

Esse efeito pode atrair ainda mais investidores, ampliando os movimentos de preço para além dos fluxos diretos da Tether.

Mesmo assim, existem limites. Ainda que alcance o topo da meta anunciada, a acumulação de ouro pela Tether não altera a curva de oferta do ouro no longo prazo, tampouco se iguala ao peso conjunto dos bancos centrais e dos ETFs.

Além disso, fatores macroeconômicos, como decisões do Federal Reserve, força do dólar e percepção global de risco continuam determinantes.

Impacto no preço é de sustentação, não de explosão

Em resumo, o avanço da Tether no ouro cria um novo piso estrutural de demanda para o metal. No curto prazo, restringe a disponibilidade física e sustenta os preços na margem.

No entanto, atua como estabilizador, não como causador de instabilidade, reforçando um cenário já otimista em vez de provocar alta brusca dos preços do ouro.

Desempenho do preço do ouro (XAU)Desempenho do preço do ouro (XAU). Fonte: TradingView

No momento desta reportagem, o ouro estava sendo negociado por US$ 5.549, alta de cerca de 30% no acumulado do ano.

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