A Polícia Federal encontrou correspondências manuscritas com orientações sobre esquema de lavagem de dinheiro do tráfico por meio de criptomoedas. O achado ocorreu em um apartamento na rua São José, no bairro do Embaré, em Santos, durante a Operação Narco Azimut, deflagrada na quarta-feira (21).
Cinco suspeitos de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) foram presos na operação. Entre eles está Fernando Henrique Caetano da Cunha, o “Jimmy”, destinatário das cartas enviadas por Davidson Praça Lopes, o “Azimut”, que está preso desde abril do ano passado.
“Jimmy” é apontado pela PF como “responsável pela movimentação de criptoativos e conferência de valores em espécie” e um dos “principais articuladores logísticos” da organização.
Em uma carta datada de 28 de dezembro, “Azimut” repassa orientações específicas a “Jimmy”, relacionadas com Júlio César Oliveira Otaviano, “informando necessidades operacionais e de transações financeiras”, segundo a investigação.
Apontado como líder do grupo, Davidson “repassa inúmeras orientações quanto às movimentações financeiras de valores e de bens”, diz a PF. O próprio Davidson se refere a “Jimmy” como seu sócio. Em um diálogo com “Biel Work”, que também faz parte da estrutura do grupo, Davidson passa o contato de “Jimmy”: “Meu sócio irá atendê-lo.”
As transações investigadas atingiram a quantia de R$ 39 milhões. Desse montante, R$ 15,5 milhões foram movimentados em espécie. Outros R$ 8,7 milhões passaram por transferências bancárias. O restante, R$ 15,4 milhões, foi movimentado em criptoativos.
O magistrado ressaltou que as movimentações envolviam “grandes quantias em espécie, transferências bancárias e criptoativos (notadamente USDT – Tether), tanto no território nacional quanto no exterior”.
Em despacho de 19 páginas, o juiz transformou o decreto de prisão temporária dos sete alvos da Operação Narco Azimut em prisão preventiva, sem prazo para vencer.
Cinco investigados já estavam presos em regime temporário desde quarta-feira (21), quando a operação foi às ruas por ordem do juiz Roberto Lemos, também da 5.ª Vara Federal de Santos. São eles: Davidson Praça Lopes, Fernando Henrique Caetano da Cunha, João Gabriel de Jesus Fernandes, Rafael Pio de Almeida e Marcelo Henrique Antunes da Palma.
Dois suspeitos estão foragidos: Ezequiel da Silva Fernandes e Júlio Cesar Oliveira Otaviano.
Davidson “Azimut” foi preso em abril do ano passado na Operação Narco Bet. O inquérito faz parte do mesmo escopo de investigação que prendeu Rodrigo de Paula Morgado em outubro de 2025, apontado pela PF como contador do PCC.
A Operação Narco Azimut se conecta ainda com a Operação Narco Vela, demonstrando a amplitude das investigações da PF sobre a estrutura financeira do PCC.
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