Economia dos Estados Unidos segue crescendo, enquanto inflação ainda limita cortes de juros.
A economia dos Estados Unidos segue mostrando força no início de 2026, sustentada por consumo resiliente e um mercado de trabalho estável, enquanto a inflação permanece acima da meta do Federal Reserve e limita novos cortes de juros no curto prazo.
Dados recentes indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu a uma taxa anualizada de 4,4% no terceiro trimestre, revisão levemente superior à estimativa anterior. O resultado reforça a expectativa de que a economia americana consiga encerrar mais um ano com crescimento acima de 2%.
O principal motor da atividade segue sendo o consumidor. Os gastos das famílias aumentaram 0,5% em outubro e novembro, dando continuidade ao ritmo observado ao longo do segundo semestre de 2025.
Economistas apontam que a combinação entre renda ainda sólida, baixo nível de demissões e inflação menos volátil tem permitido que o consumo siga firme, mesmo em um ambiente de juros elevados.
Apesar da desaceleração na criação de novas vagas, o mercado de trabalho não apresenta sinais relevantes de deterioração. O número de pedidos semanais de seguro-desemprego ficou em torno de 200 mil em meados de janeiro, patamar considerado historicamente baixo.
Além disso, o total de pessoas que recebem benefícios de desemprego permanece relativamente estável, entre 1,8 milhão e 1,9 milhão, interrompendo uma tendência de alta observada nos anos anteriores. Para analistas, isso sugere um mercado de trabalho mais equilibrado, sem pressões excessivas de aquecimento ou colapso.
O principal ponto de atenção segue sendo a inflação. O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), principal métrica acompanhada pelo Federal Reserve, subiu para 2,8% em novembro, ante 2,7% em outubro. A inflação núcleo também avançou para 2,8% na comparação anual.
Mesmo com sinais de moderação em alguns componentes, a inflação permanece acima da meta oficial de 2%, o que mantém o banco central cauteloso.
Relatórios de inflação referentes a outubro e novembro foram divulgados com atraso devido à paralisação parcial do governo federal no fim de 2025, o que adiciona incerteza à leitura dos dados.
Diante desse cenário, a expectativa predominante no mercado é que o Federal Reserve mantenha os juros inalterados em sua primeira reunião de 2026. Autoridades monetárias indicam que novos cortes só devem ser considerados após evidências mais consistentes de desaceleração da inflação.
Projeções atuais apontam que uma eventual retomada do ciclo de cortes pode ocorrer apenas no início do verão do hemisfério norte, caso os dados econômicos permitam.
Os mercados financeiros reagiram de forma positiva aos dados mais recentes. O Dow Jones e o S&P 500 registraram alta, refletindo o otimismo com o crescimento econômico. Já o rendimento do Treasury de 10 anos subiu levemente para cerca de 4,27%, acompanhando a percepção de juros elevados por mais tempo.


