A Capital One acaba de comprar a Brex – a fintech fundada pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras – por US$ 5,15 bilhões, aumentando sua musculatA Capital One acaba de comprar a Brex – a fintech fundada pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras – por US$ 5,15 bilhões, aumentando sua musculat

Capital One paga US$ 5,15 bi pela Brex. Mercado discute valuation

2026/01/23 09:29

A Capital One acaba de comprar a Brex – a fintech fundada pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras – por US$ 5,15 bilhões, aumentando sua musculatura no mercado de pagamentos e cartões corporativos.

O anúncio foi feito na divulgação de resultados do quarto tri da Capital One. A maior operadora de cartão de créditos nos Estados Unidos reportou um bottom line de US$ 2,1 bilhões, dobrando o resultado do ano anterior. 

Metade do pagamento será em dinheiro, metade em ações. 

Em um primeiro momento, o mercado não ficou feliz com o M&A. No after hours, a ação do Capital One chegou a cair 5%, mas fechou em queda de 3,2%. A empresa vale US$ 150 bi na Bolsa. 

A Brex nasceu em 2017 como uma emissora de cartões de crédito corporativos para startups do Vale do Silício que não conseguiam esse tipo de serviço nos bancões. Depois, passou a atender as grandes corporações, especialmente de tecnologia. Na época, Franceschi e Dubugras tinham 20 e 21 anos, respectivamente. 

A ambição era tão grande que os fundadores diziam que estavam ‘disruptando’ a American Express – a senha do WiFi do escritório da Brex era “BuyAmex” – e, tanto os founders da Brex quanto de outras fintechs diziam que “instituições mais antigas como American Express e a Capital One negligenciaram as necessidades dos clientes,” notou o The Information agora à noite.

O valor da transação é menos da metade do valuation de US$ 12,3 bilhões que a Brex alcançou numa rodada em 2022 – o que pode gerar um haircut para alguns investidores.

Também é uma fração do valuation da Ramp, um copycat da Brex criada dois anos depois e avaliada em US$ 32 bilhões numa rodada em novembro. 

Ainda assim, o preço é maior do que os US$ 3,9 bilhões em que a Brex estava sendo avaliada no mercado secundário, segundo dados da Caplight citados pelo The Information.

“O ecossistema achou o valor pago pela Brex baixo, até por essa comparação com a Ramp e o valuation anterior. De qualquer maneira, esses meninos são a exceção da exceção da exceção, e fizeram um negócio bilionário nos EUA,” disse um gestor brasileiro de venture capital. 

Não está claro se a Brex chegou a atingir o breakeven. Dois anos atrás, a startup estava queimando cerca de US$ 17 milhões em caixa por mês, e tinha caixa suficiente para durar até março de 2026, segundo o The Information, que cobre startups no Vale. 

Antes da Brex, Dubugras e Franceschi haviam fundado a fintech Pagar.me, depois vendida para André Street na Stone.  Depois, os jovens foram para Stanford, e abandonaram o curso para apostar na Brex. Os dois atuaram como co-CEOs até 2024, quando Dubugras se tornou chairman.

Franceschi permaneceu como o CEO – e continuará no cargo após a conclusão do negócio.

O WSJ notou que a compra acontece num momento em que a disputa pelos clientes corporate se tornou um jogo mais tecnológico – com softwares de gestão de gastos e pagamentos virando uma das principais portas de entrada do relacionamento bancário. 

“A Brex inventou a combinação integrada de cartões, gestão de despesas e banking numa única plataforma,” disse Richard Fairbank, o fundador e CEO da Capital One. 

O nível de liquidez dos fundadores depois da venda dependerá da eventual existência de cláusulas de liquidation preference nas rodadas da Brex, um mecanismo comum em venture capital que dá prioridade de retorno a certos investidores num evento de liquidez – uma venda, fusão ou liquidação. 

Em alguns casos, a liquidation preference determina que se a empresa for vendida abaixo do valuation de entrada daquele investidor, ele pode levar tudo até recuperar o capital investido – às vezes com um retorno pré-estabelecido.  

A Brex levantou cerca de US$ 1 bilhão em equity desde que foi fundada.

Mesmo com o valuation significativamente abaixo do pico, investidores que entraram bem no início da empresa  – como a Ribbit Capital, de Micky Malka, a Y Combinator, Kleiner Perkins, DST Global, e investidores individuais como Peter Thiel e Max Levchin – viram o valor da Brex multiplicar por mais de 700x, segundo o TechCrunch.

A Ribbit liderou a Série A de US$ 7 milhões logo após a fundação da Brex em 2017.

O deal vem na sequência de outro movimento que mudou o tabuleiro da Capital One. 

No ano passado, o banco fechou a aquisição da Discover Financial por US$ 35 bilhões, ganhando alcance e, principalmente, acesso a uma das raras redes de cartão nos EUA que concorrem com Visa e Mastercard.

A transação da Brex deve ser concluída no meio do ano, e está sujeita às condições usuais de fechamento.

O Bank of America assessorou a Capital One, que teve como legal advisor o Wachtell, Lipton, Rosen & Katz. 

O Centerview Partners assessorou a Brex, que trabalhou com o Wilson Sonsini e o Simpson Thacher.

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