Pouco depois de ter colocado R$ 2 bilhões na Cosan na rodada de capitalização liderada pelo BTG, a Perfin continua com apetite pelos segmentos de infraestrutura em que atua: energia, rodovias e saneamento.
A COO Carolina Rocha disse que a Perfin está em processo de onboarding na Cosan, o que inclui visitas in loco a operações como a da Rumo. E, junto com o BTG, entende que poderá ajudar o conglomerado a tomar “boas decisões” para destravar valor.
“A companhia ficou muito grande e a questão da alavancagem acabou atrapalhando. Mas você tem uma massa de coisas boas ali: operações, pessoas… Então temos que aparar arestas. Parece ser mais isso: tirar excessos. A base é boa para se trabalhar. O canvas é bom, entende?” Carolina disse ao Brazil Journal.
Em paralelo, a Perfin deve ter mais um ano movimentado com os leilões de rodovias e espera movimentos relevantes também no saneamento, dois segmentos com bastante alocação de seus fundos.
Na energia, a estratégia é seguir disputando licitações de transmissão, com um olhar cirúrgico em meio à acirrada concorrência do setor.
Depois de ter investido na Comerc, a geradora renovável e trading depois vendida à Vibra, desafios setoriais – como os cortes de geração em eólicas e solares (curtailment) – reduziram o apetite da Perfin pela tese de energia renovável por enquanto.
Nas rodovias, a gestora atua por meio da EPR, uma JV com a Equipav, na qual a gestora de Ralph Rosenberg tem 49,9% por meio de fundos da Perfin Infra. A joint venture venceu sete leilões desde 2022, o último em outubro, comprometendo-se com cerca de R$ 50 bilhões em investimentos.
“O apetite continua, porque esse capex é diluído no tempo. Então funding nós temos. Na parte de equity, estamos bem equacionados, temos recursos ainda nos fundos. E o BNDES segue com muito apetite, e o mercado de capitais e os bancos estão aceitando muito bem,” disse Carolina.
Só o Ministério dos Transportes espera realizar 13 leilões este ano, com capex de R$ 85 bilhões para viabilizar 6,4 mil km, sem contar as licitações estaduais. A carteira federal inclui projetos no Paraná e Minas Gerais, onde a EPR já possui lotes e pode ter sinergias.
No saneamento, a Perfin se aliou à Aegea e à Kinea na aquisição da gaúcha Corsan, leiloada em 2022. Juntas, criaram uma plataforma que venceu também uma PPP da Sanepar e a concessão de Palhoça (SC).
A gestora também tem investido tempo, energia e recursos na Copasa, que o governo de Romeu Zema pretende privatizar no mesmo modelo de corporation adotado na Eletrobras, hoje AXIA Energia. Em dezembro, fundos geridos pela Perfin atingiram 12,3% do capital da Copasa, tornando a gestora a maior acionista privada da estatal mineira.
O veículo criado com Aegea e Kinea para entrar na Corsan também poderá ser usado para novas oportunidades na região Sul, disse Carolina, sem dar detalhes.
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