O mercado cripto na América Latina registra mudança nas preferências de investidores. O ouro tokenizado avança em volume de negociação enquanto o XRP perde espaço na região, segundo dados da exchange Bitget, o que reacende questionamentos sobre a adoção real do token da Ripple.
A mudança ocorre em cenário de incerteza macroeconômica e tensões geopolíticas, fatores que historicamente favorecem o ouro. Agora, essa preferência se manifesta também na versão digital do metal.
O ouro tokenizado, normalmente representado como XAU, é um ativo digital lastreado em ouro físico que permite exposição ao metal sem as barreiras dos mercados tradicionais. Trata-se da digitalização do ouro em blockchain para facilitar negociação, custódia e liquidez global.
Segundo a Bitget, o XAU responde por quase 57% do volume total de negociação dentro dos ativos TradFi na América Latina. Em volume diário, o ouro tokenizado já supera o XRP e fica atrás apenas de Bitcoin, Ethereum e Solana na plataforma.
O movimento é especialmente perceptível em países como Argentina e Brasil, onde investidores buscam proteção contra inflação, volatilidade cambial e riscos macroeconômicos. O ouro, tradicionalmente visto como reserva de valor, ganha força ao ser combinado com a facilidade da negociação digital.
O contexto internacional também influencia. O preço do ouro recentemente ultrapassou US$ 4.600 por onça, impulsionado por instabilidade geopolítica e políticas monetárias restritivas. Esse cenário reforça a narrativa do ouro como ativo de proteção — algo que o XRP não consegue explorar de forma tão evidente.
Os produtos de ouro tokenizado registraram forte crescimento no ano passado, atraindo bilhões de dólares e avançando em ritmo muito superior ao do próprio mercado global do ouro e da maioria dos principais fundos negociados em bolsa (ETFs) lastreados no metal. Esse avanço se deve ao aumento expressivo do volume negociado diretamente na blockchain.
Segundo dados divulgados pela CEX.io, o valor de mercado do ouro tokenizado subiu 177% em apenas um ano. Em paralelo, o número de investidores quase triplicou, somando mais de 115 mil novas carteiras, superando de longe outras categorias de ativos do mundo real tokenizados.
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Em valor, o setor adicionou cerca de US$ 2,8 bilhões em 2025, passando de aproximadamente US$ 1,6 bilhão para perto de US$ 4,4 bilhões, o que representou cerca de um quarto de todos os fluxos líquidos no segmento de RWA, superando o crescimento somado de ações tokenizadas, títulos corporativos e dívidas soberanas que não sejam dos EUA.
Esse avanço expressivo ocorreu em um cenário muito positivo para o ouro convencional, cujo valor total cresceu mais de 67%. Mesmo assim, o ouro tokenizado registrou expansão 2,6 vezes mais acelerada e superou a maioria dos ETFs de ouro físico.
Em termos de volume, as negociações anuais chegaram a aproximadamente US$ 178 bilhões, colocando o produto atrás apenas do SPDR Gold Shares no mundo. Grande parte do crescimento final veio do Tether Gold, que concentrou três quartos do volume no último trimestre, seguido pela Paxos Gold.
O boom do ouro também foi impulsionado pelo aumento da incerteza macroeconômica e política, agravada pelas tensões em torno da independência do Federal Reserve e Jerome Powell, além das expectativas de cortes nas taxas de juros que favorecem esse ativo de proteção.
Com o avanço do ouro tokenizado, a adoção e a utilidade do XRP enfrentam críticas crescentes. Especialistas da área afirmam que a narrativa do XRP como solução para pagamentos bancários globais não se converte em uso amplo e em grande escala, sobretudo na América Latina.
De acordo com CryptoManiac, sob uma ótica estrutural, o sistema financeiro não opera apenas como um desafio tecnológico. Trata-se de uma rede altamente regulada composta por balanços patrimoniais, garantias e câmaras de compensação.
Nesse cenário, as instituições financeiras costumam preferir dinheiro de bancos centrais, sistemas fechados e ativos de baixo risco, em vez de tokens voláteis, para liquidação de valores.
Ainda assim, o XRP segue sendo uma narrativa atrativa para o investidor de varejo. A moeda propõe modernizar bancos e conquistar fatia do fluxo financeiro global.
No entanto, dados de volume indicam que essa expectativa, até agora, não se reflete em adoção consistente comparável a ativos amplamente reconhecidos como reserva de valor.
O avanço do ouro tokenizado na América Latina indica uma mudança relevante nas preferências do mercado. Enquanto o XAU ganha volume e consolida seu perfil de refúgio digital, o XRP perde espaço e enfrenta questionamentos sobre sua adoção prática.
Essa diferença mostra que, em períodos de incerteza, investidores buscam ativos com uma narrativa clara de proteção de valor. Para o XRP, o desafio será converter sua promessa tecnológica em uso concreto, capaz de rivalizar com alternativas cada vez mais buscadas.
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