Embaixador junto às Nações Unidas declara apoio aos manifestantes e defende cautela diante da repressãoEmbaixador junto às Nações Unidas declara apoio aos manifestantes e defende cautela diante da repressão

EUA dizem à ONU que “todas opções estão sobre a mesa” contra o Irã

2026/01/16 19:22

Os Estados Unidos declararam apoio aos “corajosos cidadãos do Irã” durante reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) realizada na 5ª feira (15.jan.2026). O embaixador norte-americano junto ao órgão, Mike Waltz, afirmou que o presidente Donald Trump (Partido Republicano) deixou claro que “todas as opções estão sobre a mesa para deter o massacre” no país.

Segundo Waltz, Trump já ameaçou intervir em apoio aos manifestantes iranianos, após relatos de que milhares de pessoas teriam morrido na repressão aos protestos contra o regime clerical. O embaixador ressaltou, no entanto, que o presidente norte-americano adotou uma postura de cautela, ao dizer que foi informado de uma redução nas mortes e que não haveria, no momento, plano para execuções em larga escala.

A estimativa de mortos no Irã varia por causa do bloqueio de internet pelo governo, que dificulta a circulação de informações pelos iranianos. De acordo com os dados divulgados na 4ª feira (14.jan.2026), os números divergem entre 2.400 e 12.000 mortos, depois do 17º dia de protestos no país.

Ao discursar no Conselho, Waltz disse que Trump “é um homem de ação, não de discursos intermináveis”, e reforçou que a reunião foi solicitada por Washington justamente para tratar da situação no Irã. O diplomata também rejeitou as afirmações do governo iraniano de que os protestos seriam “um complô estrangeiro” com objetivo de preparar uma ação militar. Segundo ele, o regime estaria mais fraco do que nunca e difundiria essa narrativa por medo da mobilização popular nas ruas. As informações são da agência Reuters.

O vice-embaixador do Irã na ONU, Gholamhossein Darzi, afirmou que Teerã não busca escalada nem confronto. Ele acusou Waltz de recorrer a “mentiras, distorção de fatos e desinformação deliberada” para ocultar o que chamou de envolvimento direto dos Estados Unidos na condução de distúrbios violentos no país. Darzi advertiu que qualquer ato de agressão, direta ou indireta, receberá resposta “decisiva, proporcional e legal”, frisando que se trata de uma constatação jurídica, não de ameaça.

A Rússia também criticou a iniciativa norte-americana. O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, disse que os Estados Unidos convocaram o Conselho de Segurança para justificar “agressão flagrante e interferência nos assuntos internos de um Estado soberano”, além de ameaças de resolver a questão iraniana por meio de ataques destinados a derrubar o governo. Ele pediu que autoridades em Washington e em outras capitais “voltem à razão”.

Em nome do secretário-geral da ONU, António Guterres, a alta funcionária Martha Pobee defendeu “máxima contenção” neste momento sensível e apelou para que todos os atores evitem ações que possam provocar mais mortes ou ampliar a escalada regional.

PROTESTOS NO IRÃ

Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.

Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.

Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.

  • Ali Khamenei – o aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989. Ele comanda uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, como uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.

Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):

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