Starlink, da SpaceX Getty Images Desde o final do ano passado, o Irã enfrenta uma onda de protestos, com a população insatisfeita com a crise econômica do Starlink, da SpaceX Getty Images Desde o final do ano passado, o Irã enfrenta uma onda de protestos, com a população insatisfeita com a crise econômica do

Como a Starlink, de Musk, virou peça-chave para manter manifestantes do Irã conectados ao mundo

2026/01/16 03:28
Starlink, da SpaceX — Foto: Getty Images Starlink, da SpaceX — Foto: Getty Images

Desde o final do ano passado, o Irã enfrenta uma onda de protestos, com a população insatisfeita com a crise econômica do país, que lida com inflação alta, desvalorização de sua moeda e alta no custo de vida. A insatisfação passou a ser demonstrada em diversas cidades, com manifestantes pedindo também a queda do governo do aiatolá Ali Khamenei.

Apesar de dizer que abriria espaço para o diálogo, o governo iraniano passou a reprimir as manifestações e já no começo deste ano foram confirmadas as primeiras mortes. A questão escalou, o número de mortos e detidos disparou, e Irã passou a acusar os Estados Unidos e Israel de incitar a população contra o governo. Donald Trump, presidente norte-americano, tem sinalizado que pode autorizar uma intervenção militar.

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Mas qual é a relação da Starlink, da SpaceX, empresa de Elon Musk, com toda essa questão política? Para responder a essa pergunta é primeiro preciso lembrar que a Starlink é um serviço de internet de banda larga de alta velocidade que utiliza uma constelação de satélites para levar conexão a áreas remotas.

Em um esforço para conter os protestos massivos, o governo iraniano decidiu desconectar seus 90 milhões de habitantes da internet, uma ofensiva contra os meios de comunicação. O apagão se estendeu a um bloqueio do serviço de satélite da Starlink, que pessoas no Irã vinham usando para driblar a censura oficial, organizar protestos e se comunicar com o mundo exterior.

“A Starlink é praticamente a única forma de se conectar, de enviar notícias para fora do país”, disse ao The Washington Post Mehdi Yahyanejad, cofundador da NetFreedom Pioneers. “Todos esses vídeos e fotos que saíram nos últimos dias foram enviados por meio da Starlink.”

Trump, então, afirmou nesta semana que pretendia conversar com Musk, com quem vive uma relação marcada por aproximações e brigas, para ajudar manifestantes iranianos a contornar o apagão de internet, elogiando a empresa do bilionário. Isso mostra o papel de linha de frente que a empresa de satélites de Musk vem desempenhando na política externa dos Estados Unidos.

Uma pessoa familiarizada com o assunto, que falou ao The Washington Post sob condição de anonimato, disse que Musk afirmou estar totalmente comprometido com os esforços para restaurar a conectividade no Irã e autorizou seus engenheiros a trabalhar em uma solução.

Segundo a Bloomberg, a Starlink ainda funciona no Irã, pois seus receptores terrestres se comunicam diretamente com uma rede de centenas de satélites que orbitam a Terra em baixa altitude. Estima-se que existam 50.000 terminais Starlink disponíveis para usuários no país, segundo Ahmad Ahmadian. Alguns os compraram para se comunicarem sem serem detectados pelas autoridades, outros para acessar serviços proibidos no Irã, como a Netflix.

Os receptores incluem um roteador Wi-Fi e uma antena parabólica fina e retangular que pode ser instalada em minutos. Muitos usuários iranianos compartilham suas credenciais para dar acesso à sua rede Wi-Fi a vizinhos e amigos. Na maioria dos casos, os kits foram comprados em países onde a Starlink possui licença. Eles podem então ser operados no Irã se os usuários ativarem a configuração de "roaming". A partir dai, um receptor Starlink precisa de uma visão desobstruída do céu. Mas isso aumenta o risco de as unidades serem detectadas pelas autoridades. O governo tem, inclusive, usado drones para procurá-las em telhados.

Autoridades iranianas protestam há anos contra o fato de a Starlink permitir que usuários no país se conectem à sua internet via satélite. Teerã entrou com uma ação na União Internacional de Telecomunicações (UIT), da ONU, que no ano passado decidiu a favor do Irã contra a Starlink. No entanto, a organização não tem poderes de execução para obrigar a Starlink a desligar o serviço sobre o Irã.

Além disso, após a guerra com Israel em junho de 2025, o parlamento iraniano ampliou suas leis de espionagem para criminalizar os usuários do Starlink. Aqueles flagrados transmitindo vídeos considerados prejudiciais à segurança nacional podem enfrentar até cinco anos de prisão. Em situações especiais de segurança ou em tempos de guerra, as penas podem ser aumentadas para até 25 anos.

Ahmad Ahmadian, diretor-executivo da organização sem fins lucrativos Holistic Resilience, com sede nos EUA, disse que, embora o governo iraniano venha bloqueando a Starlink periodicamente há anos, este ataque mais recente se concentrou em usuários da capital, Teerã, e utilizou um método novo e poderoso, direcionado à capacidade dos usuários de enviar dados e compartilhar informações e imagens dos protestos para fora do país.

“Acredito que eles estejam usando ferramentas de interferência de nível militar para bloquear os sinais de radiofrequência, especialmente qualquer vídeo, qualquer conteúdo, qualquer relatório que saia do Irã”, afirmou.

Kimberly Burke, diretora de assuntos governamentais da consultoria Quilty Space, disse que o governo iraniano estava degradando o serviço de internet da Starlink, tornando-o difícil de usar, com acesso lento e instável.

A SpaceX, empresa controladora da Starlink, não respondeu aos pedidos de comentário do The Washington Post.

Influência política

Ainda de acordo com The Washington Post, o apelo de Trump a Musk para intervir no Irã reflete o crescente poder global que a pessoa mais rica do mundo exerce por meio de sua empresa. Com mais de 9.000 satélites, a Starlink é de longe a maior constelação de satélites do mundo, o que lhe dá uma capacidade única de permitir que indivíduos se comuniquem em locais remotos ou em desafio a governos.

Segundo Clayton Swope, diretor adjunto do Projeto de Segurança Aeroespacial do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), a Starlink tem a capacidade de manter as pessoas conectadas quando seus governos não querem que elas estejam. “Portanto, quando é do interesse dos EUA ajudar países a se comunicarem com o mundo exterior — e um lugar como o Irã está bem no topo da lista —, há apenas um número limitado de empresas que oferecem essa capacidade. A Starlink está no centro disso.”

Esta não é, portanto, a primeira vez que a empresa desempenha um papel assim. No começo deste ano, a Starlink informou que estava oferecendo serviço gratuito de banda larga na Venezuela, após a captura do presidente do país, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. A empresa também teve um papel no apoio às forças militares da Ucrânia em sua defesa contra a invasão russa, com parte do financiamento vindo do Pentágono.

O bilionário também já se ofereceu para fornecer acesso à Starlink em resposta desastres naturais ou períodos de instabilidade. Ele tem usado o serviço tanto como ferramenta diplomática quanto como linha de vida para pessoas afetadas por incêndios florestais, furacões ou que, de outra forma, precisam de acesso à internet.

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