Mark Zuckerberg, CEO da Meta — Foto: Getty Images
A Meta anunciou nesta sexta-feira (9) uma série de acordos que a colocam em uma excelente posição para ter acesso à boa parte da energia nuclear existente nos EUA: a empresa precisa de um volume de energia capaz de suprir cidades inteiras para para alimentar seus data centers de inteligência artificial, lembra o The Wall Street Journal.
A controladora do Facebook afirmou que apoiará novos projetos de reatores com as desenvolvedoras TerraPower e Oklo e fechou um acordo com a produtora de energia Vistra (VST) para comprar e expandir a capacidade de geração de três usinas nucleares existentes em Ohio e Pensilvânia.
Os detalhes financeiros não foram divulgados, mas os acordos estão entre os mais abrangentes e ambiciosos já firmados entre empresas de tecnologia e fornecedores de energia nuclear. As ações da Vistra e da Oklo subiram cerca de 15% logo após a abertura do mercado de ações. A TerraPower é uma empresa privada.
A Meta pretende que os primeiros novos reatores sejam entregues em 2030 e 2032, uma meta ambiciosa mesmo para projetos de energia mais convencionais. Sua compra de energia nuclear da Vistra começa ainda este ano e manterá a energia na rede.
"Estamos cientes de que o cronograma é desafiador, mas acreditamos que é importante sermos ousados", disse Urvi Parekh, diretora de energia global da Meta, em entrevista.
Cumprir esses prazos para os novos reatores exigiria que as empresas selecionassem rapidamente locais que fossem aceitáveis para os órgãos reguladores de energia nuclear nos
EUA, começassem a trabalhar com as concessionárias para garantir as conexões à rede e colocassem suas operações de fabricação em funcionamento, disse a executiva. Mas isso também significaria que elas teriam a chance de atender à demanda urgente por eletricidade para alimentar a computação de IA.
“Se nos concentrarmos apenas em datas muito distantes, a energia nuclear não será capaz de resolver a crise de curto prazo que todos estamos enfrentando”, disse Parekh.
O boom da IA impulsionou as projeções de demanda por energia, aumentou a demanda por novas usinas termelétricas a gás natural e causou longos gargalos na conexão à rede. Também estimulou o fascínio da indústria de tecnologia pela energia nuclear e criou uma tendência “traga sua própria energia” para as empresas de tecnologia.
Nos termos do acordo com a TerraPower, desenvolvedora de reatores apoiada por Bill Gates, a Meta pagaria para ajudar a acelerar o desenvolvimento de dois reatores que poderiam gerar até 690 megawatts de capacidade — o suficiente para abastecer uma cidade de porte médio — até 2032. Outras seis unidades poderiam ser construídas até 2035, segundo a Meta.
Com a Oklo, o financiamento da Meta ajudaria a impulsionar o desenvolvimento de um complexo nuclear em Ohio. A Oklo afirmou que os pagamentos antecipados da Meta pela energia serão usados para garantir o combustível nuclear e avançar a primeira fase do projeto, que poderia eventualmente crescer para cerca de 1.200 megawatts de capacidade, aproximadamente o que um grande reator gera. A empresa abriu seu capital em 2024, quando se fundiu com uma empresa de aquisição de propósito específico liderada pelo CEO da OpenAI, Sam Altman.
A Vistra, por sua vez, afirmou que começará a planejar a extensão das licenças federais para as usinas Perry e Davis-Besse, em Ohio, e para a usina Beaver Valley, na Pensilvânia. Um acordo de 20 anos com a Meta inclui 2.176 megawatts de capacidade operacional dos reatores em Ohio e um aumento adicional de 433 megawatts na produção de energia, conhecido como uprate, em todas as três localidades.
No ano passado, a Meta concordou em comprar a geração de energia de uma usina nuclear em Illinois por 20 anos, em um acordo com a Constellation Energy. A empresa de energia disse que isso ajudaria a cobrir os custos de relicenciamento, atualizações e manutenção.
O acordo com a Vistra é semelhante. Sob o que é conhecido como um contrato de compra de energia (PPA), a Meta compraria a geração de energia nuclear, mas a eletricidade de todos os reatores envolvidos continuaria a fluir para a rede.
Outros acordos de tecnologia e energia nuclear incluem o investimento da Amazon.com na desenvolvedora de reatores X-energy, o contrato de compra de energia de 20 anos da Microsoft com a Constellation para impulsionar a retomada da antiga usina de Three Mile Island, na Pensilvânia, e uma parceria entre o Google e a NextEra Energy para reabrir um reator nuclear em Iowa.


