Um alto funcionário do Banco de França levantou alertas sobre a crescente influência das stablecoins no sistema financeiro europeu. O vice-governador alertou que a crescente dependência destes ativos digitais pode levar à "stablecoinização", um cenário em que as stablecoins se tornam amplamente utilizadas para pagamentos, potencialmente deixando de lado as moedas tradicionais.
As stablecoins, especialmente as indexadas ao dólar americano, estão a ganhar popularidade devido à sua estabilidade de preço e facilidade de utilização em transações digitais. No entanto, esta tendência pode ter consequências não intencionais para a independência monetária da Europa.
Uma das maiores preocupações é o risco de "dolarização". Se os consumidores e empresas europeus adotarem cada vez mais stablecoins lastreadas em dólares, o papel do euro nas transações do dia a dia pode enfraquecer. Esta mudança pode reduzir o controlo do Banco Central Europeu sobre a política monetária e a estabilidade financeira.
O vice-governador enfatizou que tal transição não aconteceria de um dia para o outro, mas poderia remodelar gradualmente os hábitos de pagamento. Com o tempo, a dependência de criptomoedas lastreadas no estrangeiro pode corroer a confiança nos sistemas financeiros locais e aumentar a exposição a choques económicos externos.
Para contrariar estes riscos, os reguladores europeus estão a ser instados a agir proativamente. O reforço das regras em torno da emissão e utilização de stablecoins é visto como um passo fundamental para proteger o ecossistema financeiro da região. Iniciativas como o quadro regulamentar dos Mercados de Criptoativos (MiCA) da UE visam criar um ambiente mais seguro para ativos digitais, mantendo ao mesmo tempo a soberania monetária.
O alerta destaca um debate mais amplo sobre o futuro do dinheiro na Europa. À medida que as criptomoedas continuam a evoluir, os decisores políticos enfrentam o desafio de equilibrar a inovação com a estabilidade financeira.


